Fórum do Búfalo

Versão Completa: Greves e sindicatos criminosos
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por Leandro Roque, quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

[Imagem: 59d5185b-24fd-48bc-956e-11a17010768c_FPF20131007012.jpg]

Não importa se o movimento é feito por funcionários públicos ou por empregados de empresas privadas: o fato é que greves não são um movimento de resignação em massa, o que seria um direito dos trabalhadores. Greves são simplesmente uma tentativa de punir empregadores e consumidores por meio de uma total paralisação dos serviços. (No caso de uma greve de funcionários públicos, o pagador de impostos é ao mesmo tempo o empregador e o consumidor punidos).

Para garantir o sucesso de sua empreitada, sindicalistas e grevistas sempre recorrem à violência — ou à ameaça de violência — contra os "fura-greves" e contra os trabalhadores não sindicalizados, ambos formados por pessoas que querem e estão dispostas a trabalhar sob os salários vigentes. Por causa disso, por causa desse recurso à coerção, uma greve sempre será ilegítima.

Sindicatos, por sua vez, nada mais são do que uma organização de pessoas que têm ódio visceral a seus benfeitores, os empregadores (ou aos contribuintes, no caso de funcionários públicos). Quando eles não conseguem o que querem — isto é, receber mais e trabalhar menos —, eles simplesmente recorrem a medidas que irão prejudicar a empresa para a qual trabalham (e todos os trabalhadores não sindicalizados), quase sempre utilizando de violência ou de ameaça de violência. Desnecessário dizer, é claro, que essa coerção sindical é totalmente defendida pelo governo, formado majoritariamente por gente oriunda desse mesmo ambiente.

Prejudicar seus patrões e seus consumidores — que são justamente quem garante seu sustento — é exatamente o que os sindicatos querem, dado que essa gente possui a mesma visão e a mesma ética do escorpião da fábula de Esopo, que, ao ferroar o sapo sobre o qual está montado atravessando o rio, morre junto com ele.

Não são poucas as pessoas que dizem coisas do tipo, "Veja bem, é verdade que hoje os sindicatos se corromperam, mas o fato é que suas intenções iniciais eram boas." Isso é cascata. No caso dos sindicatos dos funcionários públicos, obviamente, nunca houve sequer uma boa intenção. O objetivo sempre foi o de pilhar ao máximo o bolso dos pagadores de impostos, exigindo cada vez mais benefícios, cada vez mais dias de férias e cada vez menos horas de trabalho. E caso suas exigências não sejam atendidas, eles simplesmente paralisam os serviços, os quais, por serem monopólios estatais, inevitavelmente afetam o cidadão comum, principalmente os mais pobres. Portanto, para os sindicatos de funcionários públicos, a frase acima nunca foi cabível.

E nem para os sindicatos do setor privado. Estes também não mudaram em nada. Suas intenções em seus primórdios eram as mesmas de seus objetivos atuais: ser um braço ideológico e político de movimentos socialistas, sempre alinhando os interesses de sua classe aos interesses da elite política que está no poder, e utilizando essa aliança para minimizar os impactos gerados pela concorrência — veja o exemplo dos sindicatos das montadoras, que conseguiram um aumento de 30 pontos percentuais no IPI de automóveis importados; isso garantiu ao mesmo tempo mais receitas para o governo e mais estabilidade e maiores salários para os empregados das montadoras, ao custo do bem-estar do resto da população.

O objetivo dos sindicatos sempre foi e sempre será o de substituir as forças de mercado por uma ordem intervencionista estatal, a ser dirigida pelo governo, pelos próprios sindicatos e pelas grandes empresas aliadas ao governo.

Por fim, nada como recorrer à lógica: empregados fazem greve porque, em teoria, creem que seus salários estão ruins. Logo, por uma questão de lógica, se eles acham que seus salários estão baixos é porque se acham plenamente capacitados para ganhar salários maiores do que ganham atualmente — caso contrário, não estariam fazendo greve. Sendo assim, a coisa mais sensata e moral a fazer seria simplesmente pedir demissão e ir atrás de empregos mais rentáveis. Pois se eles se acham plenamente capacitados para salários mais elevados, então não terão dificuldade alguma em encontrar empregos mais "generosos" em termos de salário.

Sempre que você vir um empregado privado ou um funcionário público insatisfeito com seu salário, pergunte a ele: por que não pede demissão e vai procurar outro emprego, já que você é tão capacitado?

[Imagem: greve1.jpg]

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1186
Greves devem ser feitas em caso de exploração legitima e verdadeira.
No caso dos médicos, estão nos criminalizando para obtenção de votos, estão destruindo a profissão médica em prol da manutenção do poder de alguns nazipetistas, de forma autoritária suja e ignorante.

No meu caso estou deixando de trabalhar para o governo.
Mas existem médicos que se especializaram em saúde pública, esses sim deveriam fazer greve e reinvindicar mudanças nessa vadiagem que o governo está cometendo.
Com um mundo cada vez mais globalizado,com economias cada vez mais interligadas e produtos e serviços feito em massa em outras partes do mundo . Quero ver sindicalista com sua visão retrograda reclamando.

Caminhamos para uma mundo de competição acirrada onde só quem é bom vai sobreviver, isso tanto no aspecto pessoal como empresarial,quem não se adaptar,vai ser atropelado pela historia.

A consequencia disso é esses Parasitas reclamando por mais beneficios ao custo do tabalhador Honrado.
O que eu fico puto é que esses filhos da puta estudam para concurso SABENDO o salário que vão ganhar, passam um tempinho trabalhando e depois já ficam de mimimimi por causa do salário. CARALHO, pensavam o que? que iam ficar ricos ?
(16-10-2013, 02:53 PM)Mc_lovin Escreveu: [ -> ]O que eu fico puto é que esses filhos da puta estudam para concurso SABENDO o salário que vão ganhar, passam um tempinho trabalhando e depois já ficam de mimimimi por causa do salário. CARALHO, pensavam o que? que iam ficar ricos ?

Então eles estão certos, pensando dessa forma, em lutar por melhorias do salário.

R$ 2000,00 de antigamente não possui o mesmo poder de compra de R$ 2000,00 de hoje em dia, pois é "comido" pela inflação.
Dai o aumento salarial seria para manter o mesmo poder de compra que o salário da época do concurso fornecia.
(16-10-2013, 03:11 PM)Free Bird Escreveu: [ -> ]
(16-10-2013, 02:53 PM)Mc_lovin Escreveu: [ -> ]O que eu fico puto é que esses filhos da puta estudam para concurso SABENDO o salário que vão ganhar, passam um tempinho trabalhando e depois já ficam de mimimimi por causa do salário. CARALHO, pensavam o que? que iam ficar ricos ?

Então eles estão certos, pensando dessa forma, em lutar por melhorias do salário.

R$ 2000,00 de antigamente não possui o mesmo poder de compra de R$ 2000,00 de hoje em dia, pois é "comido" pela inflação.
Dai o aumento salarial seria para manter o mesmo poder de compra que o salário da época do concurso fornecia.


Meu pai é func. público e nunca foi de participar dessas greves de vagabundos, nunca que falo é nunca mesmo. Sempre vivemos conforme as condições financeiras disponíveis, com o básico mesmo. Vejo professores de universidades federais que ganham seus 6 mil, 7 mil....fazendo greve....é tudo vagabundo, essa é minha opinião.
(16-10-2013, 03:15 PM)Mc_lovin Escreveu: [ -> ]
(16-10-2013, 03:11 PM)Free Bird Escreveu: [ -> ]
(16-10-2013, 02:53 PM)Mc_lovin Escreveu: [ -> ]O que eu fico puto é que esses filhos da puta estudam para concurso SABENDO o salário que vão ganhar, passam um tempinho trabalhando e depois já ficam de mimimimi por causa do salário. CARALHO, pensavam o que? que iam ficar ricos ?

Então eles estão certos, pensando dessa forma, em lutar por melhorias do salário.

R$ 2000,00 de antigamente não possui o mesmo poder de compra de R$ 2000,00 de hoje em dia, pois é "comido" pela inflação.
Dai o aumento salarial seria para manter o mesmo poder de compra que o salário da época do concurso fornecia.


Meu pai é func. público e nunca foi de participar dessas greves de vagabundos, nunca que falo é nunca mesmo. Sempre vivemos conforme as condições financeiras disponíveis, com o básico mesmo. Vejo professores de universidades federais que ganham seus 6 mil, 7 mil....fazendo greve....é tudo vagabundo, essa é minha opinião.
Eu também acho vagabundagem.
Muitas poucas greves são realmente justas.
A maioria é revanchismo com o governo que não cumpriu exigências abusivas ou então são atos políticos.
(16-10-2013, 03:11 PM)Free Bird Escreveu: [ -> ]
(16-10-2013, 02:53 PM)Mc_lovin Escreveu: [ -> ]O que eu fico puto é que esses filhos da puta estudam para concurso SABENDO o salário que vão ganhar, passam um tempinho trabalhando e depois já ficam de mimimimi por causa do salário. CARALHO, pensavam o que? que iam ficar ricos ?

Então eles estão certos, pensando dessa forma, em lutar por melhorias do salário.

R$ 2000,00 de antigamente não possui o mesmo poder de compra de R$ 2000,00 de hoje em dia, pois é "comido" pela inflação.
Dai o aumento salarial seria para manter o mesmo poder de compra que o salário da época do concurso fornecia.

A culpa da desvalorização do salário é exclusivamente do governo, que imprime dinheiro e com isso rouba o poder de compra do trabalhador. Isso não é culpa das empresas, e nem dos taxpayers (quando se trata de funça, quem paga pelos são os taxpayers).
Muito infeliz a frase que ilustra o tópico.

Seria o mesmo que dizer "Está insatisfeito, saia do Brasil".

A depender da demanda de "mortos de fome" que vivem no Brasil, sem organização e reivindicações muitas categorias estariam trabalhando por um prato de comida. Concordo que algumas categorias não utilizam a greve da maneira adequada, mas desmoralizar o insituto ou posicionar-se contra não me parece adequado.

Os grandes grupos econômicos se aproveitam disso, caso dos Bancos. O salário está cada vez menor, as condições de trabalho cada vez piores, etc. Quem está dentro pode até reclamar, mas é deimtido sem só, pois tem milhares de "mortos de fome" prontinhos para substituí-los.

Infelizmente tenho uma irmã afastada faz 2 meses em razão de tendinite e bursite, ela é gerente do Itaú. Não sabem como é triste ver uma pessoa com menos de 30 anos tendo dificuldades para escovar os dentes, pentear o cabelo (médicos de plantão sabem como é), enfim, fazer tarefas do cotidiano, pois a dor é insuportável. Ela já estava doente faz tempo, mas só agora procurou ajuda, pois depende do emprego e o banco ta pouco se fudendo.

Isso ocorreu pelo acúmulo de tarefas, carga horária extenuante (6 horas?? Piada, média de 10 horas diárias sem almoço). A categoria luta hoje pela melhora nas condições de trabalho, para que os ínumeros casos de doenças decorrentes do trabalho diminuam.

Algéum já parou para pensar porque seu "patrão" lhe paga o que você recebe? O que o impede de pagar menos? O que o impede de colocá-lo para trabalhar 12 horas diárias sem almoço? O que o impede de exigir que você faça o trabalho de 3 funcionários?

Não vou responder os questionamentos para não me alongar e incitar a discussão.
Mister M, isso se chama livre mercado.
(16-10-2013, 06:55 PM)Petulante Escreveu: [ -> ]Mister M, isso se chama livre mercado.

Então você seria a favor de condições sub-humanas de trabalho se o tal "livre mercado" assim proporcionasse?

Quais os limites do livre mercado?

Voltaremos aos tempos da revolução industrial e seremos obrigados a trabalhar 15 horas por dia, morreremos no chão de fábrica, ficaremos felizes por ter água e pão na mesa.

Sem os "freios" estatais e sem a mobilização dos trabalhadores, não vejo nada além desse cenário acima descrito.

Vamos mudar o ponto de vista, a partir de um micro/pequeno empresário.

O que será dele se o estado não coibir práticas de Cartel, Dumping?

Ora, mas o mercado é livre, vamos prestigiar a autonomia da vontade, as liberdades individuais, porque não posso chegar com minha empresa multibilionária e praticar dumping para ganhar o mercado? Afinal de contas, ele não é livre? SE eu posso fazer isso e você, não aguenta, azar o seu, não é mesmo?
(16-10-2013, 07:10 PM)Mister.M Escreveu: [ -> ]
(16-10-2013, 06:55 PM)Petulante Escreveu: [ -> ]Mister M, isso se chama livre mercado.

Então você seria a favor de condições sub-humanas de trabalho se o tal "livre mercado" assim proporcionasse?

Quais os limites do livre mercado?

Não existe condições sub-humanos onde tem livre mercado. O livre mercado foi possibilitou as melhorias nas condições sociais dos trabalhadores. Por outro lado, onde não tem livre mercado, muita gente morre de fome. Na URSS, na China do Mao Tse Tung, no Camboja, não havia livre mercado e muita gente morreu de fome. Na coréia do Norte não tem livre mercado e as pessoas morrem de fome. Na Venezuela Chavista não tem livre mercado e as pessoas vivem em condições sub-humanas. Por outro lado, em países onde tem livre mercado, o padrão de vida é elevado. Basta ver Hong Kong, Singapura, Mônaco, Qatar. Nestes países onde o mercado é mais livre, os impostos são baixos, não há excesso de burocracia. Veja a padrão de vida destes países. Melhores IDH, maiores renda per capta, maiores expectativa de vida, não há fome...


(16-10-2013, 07:10 PM)Mister.M Escreveu: [ -> ]Voltaremos aos tempos da revolução industrial e seremos obrigados a trabalhar 15 horas por dia, morreremos no chão de fábrica, ficaremos felizes por ter água e pão na mesa.

Não fale merda. Se não fosse as grandes invenções que ocorreram na revolução industrial, o computador que você usa não existiria. Tampouco a energia elétrica que você consome, a lâmpada que você acende existiria se não fosse a revolução industrial.


(16-10-2013, 07:10 PM)Mister.M Escreveu: [ -> ]Sem os "freios" estatais e sem a mobilização dos trabalhadores, não vejo nada além desse cenário acima descrito.

Então você acredita que o nosso padrão de vida melhorou graças aos freios estatais e à "mobilização dos trabalhadores" (greves e sindicatos) que a vida melhorou? Não fale merda. Greves não produzem nada a não ser queda na produção e estragos. Recomendo ler este texto que explica de forma detalhada o que realmente melhorou a vida dos trabalhadores e entenda porque você está falando merda.


(16-10-2013, 07:10 PM)Mister.M Escreveu: [ -> ]Vamos mudar o ponto de vista, a partir de um micro/pequeno empresário.

O que será dele se o estado não coibir práticas de Cartel, Dumping?

Ora, mas o mercado é livre, vamos prestigiar a autonomia da vontade, as liberdades individuais, porque não posso chegar com minha empresa multibilionária e praticar dumping para ganhar o mercado? Afinal de contas, ele não é livre? SE eu posso fazer isso e você, não aguenta, azar o seu, não é mesmo?

Carteis só existem em ambientes regulados pelo estado. É impossível um cartel voluntário durar em um mercado genuinamente livre. Sempre que houver formação de cartel e elevação de preços, haverá incentivos para que
1) um membro do grupo saia do cartel, reduza seus preços e roube clientes de seus concorrentes, aumentando seu volume de vendas e consequentemente seu lucro; ou
2) um empreendedor de fora chegue, pratique preços marginalmente menores, e com isso tome clientela dos cartelistas e obtenha portentosos lucros.
Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam. Pedir que o estado atue para acabar com cartéis é o mesmo que pedir para o gato tomar conta do pires de leite.
Basta observar o mundo ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, postos de gasolina etc.).

Dumping (dumping real mesmo, com preços lá em baixo) ocorreu apenas uma vez na história. E quem a praticou se estrepou bonito, de modo que seu concorrente direto ganhou mercado em cima dessa bobagem. Espero que você entenda de inglês, pois este caso é contado de forma magnífica pelo Thomas Woods (para quem não sabe, foi quem meteu a real sobre a História da Igreja Católica) neste video:

Confrade Búfalo,

Obrigado pela resposta, meu objetivo era justamente aguçar a discussão.

Repare que o meu enfoque principal é nas relações de trabalho, nas condições de saúde, higiene e segurança no meio ambiente de trabalho.

Interessante você ter citado Hong Kong, pois é sede de uma das fábricas da Foxconn (que produz produtos apple) e é reconhecida pelas péssimas condições de trabalho, com vários casos de suícidios, acidentes, etc.

Não tenho nada contra o livre mercado, e também sou defensor da mínima intervenção estatal.

Mas o livre mercado deve estar em harmonia com um meio ambiente de trabalho digno, que proporcione as condições adequadas para que os empregados desempenham suas funções sem prejuízo de sua integridade fisíca.

Quando disse "freios" estatais" estava me referindo à CF/88 e CLT, por exemplo (já fiz criticas a ela em outro tópico, não vou entrar no mérito do que poderia ser revisto e/ou melhorado).

Até nos EUA existe salário mínimo, e isso é um "freio" ao meu ver. Se não houvesse um mínimo salarial a ser obedecido, você acha que as empresas americanas não pensariam duas vezes antes de baixar o que é pago hoje?

A perversidade de grandes grupos econômicos chega a ser doentia, sugiro que assista o documentário "The Corporation".

Ademais, agradeço pelo seu post, muito informativo, quando tiver um tempo vou me aprofundar nos estudos pois não é minha área e tenho pouca fundamentação teórica.
Prezado Mister.M

Sei que o debate é sobre relações de trabalho, condições de saúde, higiene, segurança, etc. Mas como Thomas DiLorenzo explica naquele artigo, nenhum destes indicadores teria melhorado se não fosse os investimentos em capital (máquinas, equipamentos e instalações) e investimentos em tecnologia (desde tratores e retroescavadeiras com ar condicionado aos robôs utilizados nas fábricas de automóveis). E também como Thomas DiLorenzo explica, os investimentos em capital e tecnologia tornaram o ambiente de trabalho mais seguro.

Ademais, como Thomas DiLorenzo explica:

Citar:Ambientes de trabalho perigosos e precários são extremamente custosos para os empregadores, pois eles são obrigados a oferecer uma diferença compensadora (salários maiores) para conseguir atrair mão-de-obra. Mais ainda: a diferença salarial teria de ser muito alta para atrair trabalhadores qualificados, que é o que todo empregador realmente quer.

Sendo assim, qualquer empreendedor possui um poderoso interesse financeiro em aperfeiçoar a segurança de seu ambiente de trabalho, especialmente nas indústrias, onde os salários normalmente são a maioria dos custos totais. Adicionalmente, caso o mercado de trabalho seja livre, permitindo ampla liberdade de mobilidade para os trabalhadores e ampla oferta de trabalho, empregadores que não aumentarem continuamente tanto a segurança quanto os salários de seus empregados irão perder mão-de-obra. Toda perda de mão-de-obra implica grandes custos para os empregadores, que têm de arcar com os custos da mão-de-obra perdida, treinando e qualificando novos empregados. Da mesma maneira, quanto menor for a segurança no trabalho, maiores serão os gastos com compensações trabalhistas em decorrência de acidentes de trabalho — para não mencionar a simples ameaça de processos.

Em suma, ambientes de trabalho precários não são lucrativos para os empregadores. São muitos custosos para eles.


Quanto à Foxconn, novamente espero que saiba dominar o idioma anglicano para ler uma versão mais "politicamente incorreta" sobre o caso:

http://mises.ca/posts/blog/apple-sweatsh...ductivity/
Bufálo,

Infelizmente, pelo menos no Brasil, a realidade citada por você não existe.

Muitas empresas (grandes empresas aliás) utilizam a sonegação de direitos trabalhistas como forma de diminuir custos, aumentar a competitividade e, consequentemente, sua margem de lucro.

Imagine uma empresa com 120.000 (cento e vinte mil) empregados. Digamos que ela "obriga" os funcionários a trabalharem 1 hora a mais sem bater o ponto, portanto, trabalham de graça sem ganhar hora extra.

Imaginemos que 1 hora = R$ 15,00 x 120.000 = R$ 1.800.000,00
Imaginemos 22 horas por mês = 1.800.000,00 x 22 = R$ 39.600.000,00
Imaginemos em 1 ano = R$ 475.200.000,00

Essa empresa gera uma economia de quatrocentos e setenta e cinco milhões e duzentos mil reais por ano simplesmente por deixar de pagar uma hora extra aos funcionários, tornando-se extremamente mais competitiva que outra empresa que paga seus funcionários corretamente.

Ocorre que essa mesma empresa percebeu que pode sonegar mais de uma hora por dia, e melhor, pode dispensar muitos funcionários e dividir o trabalho que eles faziam entre os demais, que executarão a demanda extra de graça (não batem o ponto, lembram?).

Agora você me pergunta, mas e os funcionários não reclamam?

Como seus salários são tidos como "altos" pela parcela pobre da população (maioria), e como a procura por trabalho nessa empresa é grande, eles "aceitam" esse tipo de coisa para não serem mandados embora. Processos?? uma minoria deles entra na justiça. Ou seja, a prática gera mais lucro do que despesa para essa empresa.

Estou falando de sonegar apenas 1 hora extra por dia, mas e se a empresa adotar outras formas de sonegação, imaginam o quanto essa economia pode crescer?

Sou estudante de Direito e tive o privilégio de fazer fazer estágio no escritório de um renomado advogado trabalhista. O escritório tem hoje cerca de 5000 "processos" ativos, grande parte trata de doença ocupacional e acidentes de trabalho.

São ínumeras histórias de mortes, amputações, mutilações, invalidez parcial, total, temporária, permanete, dano existencial, enfim, tudo de ruim que você possa imaginar e que poderia ser evitado.

Os argumentos trazidos são válidos, mas para mim representam apenas o mundo ideal, passam longe de ilustrar o mundo real, o que acontece no dia-a-dia, principalmente no Brasil.

Aqui colheitadeira não tem vez (equipamento caro), é mais barato contratar cortador de cana , pagar com pedra de crack e substituir na medida em que forem morrendo.


Os cálculos apresentados são uma situação hipotética, por óbvio, existe uma diferença para mais ou menos (embora eu acredite que seja muito maior).
Concordo totalmente com o Mister. M.
A grande maioria das empresas não são santas, e abusam sim dos empregados.
O problema é que isso só acontece porque a porra do governo sufoca as empresas com impostos e elas tem que dar um jeito de se manter competitivas no mercado, dai apelam para essas práticas sujas.
Porém, também não é justo que o elo mais fraco da relação de trabalho, o trabalhador, pague o pato por isso.
As leis trabalhistas são sim importantes e elas devem mesmo definir um mínimo de condições para a segurança e saúde do trabalhador.

Os empreendedores que culpem o governo (em vez de financia-lo como fazem com o PT).
Prezado Mister.M.

O seu primeiro exemplo hipotético do seu comentário é refutado pelo mundo real. Pelo visto, você desconhece totalmente a Justiça do Trabalho, que sempre dá ganho de causa ao empregado. Qualquer empregado desta empresa poderia recorrer à Justiça do Trabalho e ganhar uma bela indenização. Conheço inúmeros casos assim.

No entanto, você próprio prevendo esse ponto, tenta criar uma tangente:

(17-10-2013, 05:32 AM)Mister.M Escreveu: [ -> ]Agora você me pergunta, mas e os funcionários não reclamam?

Como seus salários são tidos como "altos" pela parcela pobre da população (maioria), e como a procura por trabalho nessa empresa é grande, eles "aceitam" esse tipo de coisa para não serem mandados embora. Processos?? uma minoria deles entra na justiça. Ou seja, a prática gera mais lucro do que despesa para essa empresa.

Utilizar o exemplo do que ocorre em uma grande empresa, que paga salários acima da média nacional, vai contra o seu objetivo. Neste seu próprio exemplo hipotético, estes empregados sabem que estão sendo bem pago, sabem que seus salários estão bem acima da média nacional, e sabem que é melhor fazer uma hora a mais de trabalho do que sair pedindo indenização porque teve de trabalhar uma hora a mais. Os prejuízos que isso porventura lhe trariam são muito maiores que os seus benefícios. Ademais, estas pessoas sabem perfeitamente que seus salários só são altos justamente porque a empresa tem de se esquivar de outros encargos sociais e trabalhistas. Se esta empresa cumprisse estes encargos à risca, seus salários certamente seriam menores. Isso é o básico de economia.

Quanto ao seu relato, além de se tratar de um óbvio exagero, gostaria muito de saber de onde advinha essas queixas. Mortes, amputações, mutilações, invalidez parcial, total, temporária, permanete, dano existencial ocorrem mais especificamente em qual setor formal? Como que isso tudo poderia ter sido evitado?


Você corretamente disse que
(17-10-2013, 05:32 AM)Mister.M Escreveu: [ -> ]Aqui colheitadeira não tem vez (equipamento caro)
Fato. Os custos de se utilizar máquinas são altos por causa dos impostos e do protecionismo do governo. Como consequência, há um uso intensivo de mão-de-obra para trabalhos pesados, o que é exatamente o que o governo quer.
Confrade Búfalo,

Não desconheço a Justiça do Trabalho. Como relatei anteriormente, trabalhei (2 anos) em um escritório de advocacia trabalhista, concluo minha graduação no próximo semestre e pretendo me especializar e advogar na área.

A sua máxima de que a Justiça do Trabalho sempre dá ganho de causa não é verdadeira, demonstra-se apenas minimalista e porque não dizer preconceituosa.

Aliás, todo empresário que descumpre a legislação trabalhista e é condenado "culpa" a Justiça do Trabalho, jamais admite sua negligência e sonegação de direitos.

Se você acha que grande empresa tem medo de passivos trabalhistas, mais uma vez está enganado. Grandes empresários contam com assessoria jurídica de ponta, fica tudo provisionado, eles trabalham apenas com números e, como eu disse, no final a conta é fávorável.

Para que fique claro, a CLT e a legislação trabalhista do Brasil merecem duras críticas em muitos aspectos, sou a favor de várias mudanças na lei, mas essa discussão eu guardo para outro momento.

Ficou óbvio que trouxe o exemplo dos bancos no meu caso hipotético. Se você achou exagerado, certamente você é quem desconhece a realidade desses profissionais.

Aliás, deve desconhecer também a realidade salarial de grande parte da categoria, que pode ser um pouco melhor que a média nacional, mas não "bem acima da média", como você justificou.

De qualquer maneira, pelo seu comentário, você deu a entender que se o meu salário é maior do que a média da população eu tenho que me contentar em trabalhar de graça (hora-extra) para meu empregador, é isso mesmo?

Enfim, esse é um dos pontos nevrálgicos da discussão, mas a minha maior preocupação é em relação à saúde e segurança do trabalhador.

Os casos aos quais eu me referi acontecem nos mais variados setores, qualquer empresa que não proporcione as condições adequadas para o exercício das atividades está sujeita a prejudicar seus trabalhadores.

Pela minha experiência no escritório percebi que os casos de morte, acidente, amputações, mutilações, etc, são mais comuns nas indústrias e construção cívil.

Esses casos poderiam ser evitados com fornecimento de EPI's adequados (que a depender do ramo de atividade custam caro), adequação dos locais de trabalho para evitar esses danos, etc,etc.

Quanto aos casos de doença ocupacional, a diversidade de setores é muito grande, mas destaco também a indústria (principalmente as químicas), bancos, escolas, enfim, uma infinidade de setores. Para evitar também vale-se dos EPI's, adequação dos locais de trabalho, ginastica laboral, etc,etc.

Importante destacar o caso dos Correios, praticamente uma fábrica de doentes. Existem setores inteiros só com pessoas readaptadas (limitação da capacidade laboral em razão de acidente do trabalho e doença ocupacional, o que obriga a mudar de função).

Infelizmente ainda há muito preconceito com quem adoece em razão do trabalho, aliás o preconceito contra qualquer doente é generalizado.

Mas isso existe, é uma realidade, pessoas jovens ficando incapacitadas, inclusive para suas tarefas cotidianas. Você imagina a frustração de um pai/mãe não conseguir pegar seu filho no colo? A dor de um pai que perde um filho esmagado em uma máquina porque a empresa economizou nos dispositivos de segurança? Você sabe o que é ficar cego porque os óculos de proteção que a empresa fornecia não eram adequados? VocÊ sabe o que é ter um problema respiratório grave por inalar produtos químicos, visto que não era fornecido máscara adequadas?

Búfalo, repito mais uma vez, concordo com o que você está dizendo, mas você está focado no mundo IDEAL, está pegando o exemplo de uma empresa séria e achando que todas são assim, mas a realidade é dura, é bem diferente.
Fiz uma breve pesquisa para ilustrar a realidade em números (um pouco desatualizado, não estou com tempo p/ pesquisar):

Número de mortos em 2011: 2.884 pessoas
Número de acidentes de trabalho em 2011: 711.164

O número de mortos em decorrência do trabalho certamente é maior, pois em muitos casos o trabalhador não morre no acidente, o óbito se dá tempos depois em razão de complicações ou doenças provenientes do fato.

Fonte:
http://www.tst.jus.br/web/trabalhoseguro...-nacionais
Essa questão da segurança no trabalho e do nível dos salários é interessante porque ela expõe o real conhecimento de economia e praxeologia de um debatedor, separando quem discute economia e praxeologia de quem se limita a fazer meros apelos emocionais.

Você não respondeu aos meus questionamentos. E essa estatística que você citou fala apenas de "ocorrências" na indústria e no comércio. "Ocorrência" é um termo bem elástico e abrangente, podendo ser um simples destroncamento de dedo. Veja que, por este quesito, os jogadores de futebol deveriam criar um sindicato para exigir "melhores condições de trabalho", pois as contusões no setor são altíssimas, bem como a fortíssima pressão psicológica feita pela torcida. Mas o Ministério do Trabalho não parece se importar, o que dá a entender que ele é um tanto seletivo ao escolher seus "protegidos". Qual o critério de "proteção ao trabalhador", afinal?
Doença em decorrência do trabalho também é um conceito bem elástico e abrangente. Por exemplo, um trabalhador que trabalha muitas horas sentado, digitando no computador, traduzindo textos, pode desenvolver doenças em decorrência do trabalho. Pois ele não pratica exercícios físicos. Dizem que isso é péssimo para a saúde, para o coração, para os ossos etc. Dizem também que o simples fato de se ficar sentado por muito tempo pode provocar trombose. Aliás, só para você ter idéia do politicamente correto no trabalho, há quem diga que o ambiente de trabalho de um profissional que trabalha por durante muitas horas sentado no computador é mais "insalubre" do que o ambiente de trabalho de um operário na construção civil: os operários na construção civil pelo menos praticam atividades físicas, o profissional sentado em frente a um computador não.

No mais, é impossível, uma empresa pagar melhores salários quando 70% de todo seu rendimento é tributado. No Brasil, por exemplo, sobre a receita bruta incidem PIS e COFINS. E depois, sobre o lucro restante incidem a CSLL e o IRPJ. Além destes impostos, há também os encargos sociais e trabalhistas sobre a folha de pagamento. E estamos apenas na esfera federal. A essa sopa de letras acrescente também o ICMS (estadual) e o ISS (municipal). Segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, uma empresa paga tributos equivalentes a 70% do lucro obtido nos negócios.

É impossível haver uma grande acumulação de capital desta forma. O lucro que poderia ser reinvestido na compra de melhores equipamentos de segurança e de bens de capital modernos, que aumentariam a produtividade dos trabalhadores — e, consequentemente, sua segurança e seus salários — é confiscado pelo governo e desperdiçado no sustento da burocracia e no salário de seus parasitas. A atividade governamental é destruidora de capital. Ela impede o enriquecimento de empresas e trabalhadores.

O Brasil não pode virar uma Suíça por meio de um simples decreto governamental e pressão de sindicatos que estipule salários e segurança no trabalho, como muita gente acredita. A Suíça apresenta mais capital acumulado per capta que o Brasil, portanto, um trabalhador suíço é muito mais produtivo que um brasileiro. Consequentemente, um trabalhador suiço trabalha menos e com mais segurança, seu salário também é muito maior. O Brasil ainda precisa enriquecer muito para chegar ao padrão de vida suíço.

Para que o Brasil pague salários de primeiro mundo e para que as empresas forneçam mais segurança no trabalho, antes é preciso acumular capital. E para acumular capital, é preciso investir. E para investir, é preciso poupar. E para poupar, é preciso trabalhar. E para que a economia faça tudo isso, o governo não pode atrapalhar, não pode obstruir a livre iniciativa e não pode confiscar capital acumulado.
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