Fórum do Búfalo

Versão Completa: De frente com Barão
Esta é uma versão reduzida do nosso conteúdo. Ver versão completa com o formato adequado.
Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19
Muito bem pessoal!

Conversando com um pessoal aqui e vendo a iniciativa do Cafastor lá no MR, pensei um pouco aqui e cheguei a conclusão: porque não abrir um espaço para o pessoal do FdB ser entrevistado e contar sua experiência de vida?

Assim sendo, resolvi aqui criar o "De frente com Barão" (é um nome cretino, eu sei), onde o pessoal terá que se abrir - no bom sentido, é claro (delícia) - e responder algumas perguntas que acredito eu, servirão para aprimoramento e aprendizado do pessoal.

Primeiramente teremos uma sessão de perguntas "padrão", depois caso eu deseje fazer mais algumas perguntas elas serão colocadas juntas a estas perguntas padrão. Depois de publicadas, se o pessoal querer que o cara responda mais algumas coisas, depois de juntadas aí pelo menos umas 5 perguntas, eu abro a parte 2 da entrevista.

Que comece o "De frente com Barão"

[Imagem: DE-FRENTE.jpg]

*imagem tosca feita em 5 minutos no Photophiltre

====

Lista dos entrevistados:

1ª Edição 01/06/16: Smith
2ª Edição 08/06/16: Spectro
3ª Edição 15/06/16: Gary Holt
4ª Edição 22/06/16: Conrad
5ª Edição 29/06/16: Mandrake

6ª Edição 06/07/16: Loki
7ª Edição 14/07/16: Legião
8ª Edição 20/07/16: Senna
9ª Edição 27/07/16: mentefantastica

10ª Edição 03/08/16: Basileus Basileon
11ª Edição 10/08/16: Josey Wales
12ª Edição 17/08/16: Free Bird
13ª Edição 24/08/16: Gekko
14ª Edição 31/08/16: Tiago Sorine

15ª Edição 14/09/16: Plissken
16ª Edição 21/09/16: Appollo
17ª Edição 28/09/16: Diamante

18ª Edição 23/11/2016: thothenki
Já tenho 3 entrevistados aqui, tou só acertando mais alguns detalhes e até quarta já lanço a primeira entrevista. Acho que vou lançar cada entrevista na quarta, até para não concorrer com as entrevistas do Cafastor que saem toda segunda.
Gostei desse novo esquema.

Pretende publicar com antecedência a agenda de entrevistas?

Ficaria legal se fosse com seu antigo avatar trollface

[Imagem: 155774-05_06_2012_14_09_15_690437332.jpg]
(30-05-2016, 11:46 AM)Fulcro Escreveu: [ -> ]Gostei desse novo esquema.

Pretende publicar com antecedência a agenda de entrevistas?

Ficaria legal se fosse com seu antigo avatar trollface

[Imagem: 155774-05_06_2012_14_09_15_690437332.jpg]



Estou a disposicao
Idem.
Projeto tem tudo pra ser foda. Só que tu vai fazer entrevista no estilo do cafastor (por escrito) ou vai ser por áudio?

(30-05-2016, 11:46 AM)Fulcro Escreveu: [ -> ]Ficaria legal se fosse com seu antigo avatar trollface

[2]
Também estou curioso pra ver e participar!
Avatar antigo do Barão é a fusão do Sílvio Santos e do Collor. yaoming
Preferia que o nome do quadro fosse "por trás do Barão" trollface
Boa iniciativa. À disposição.
o avatar tem que ser o do barão kageyama mesmo. back to old times.
(30-05-2016, 10:02 PM)mentefantastica Escreveu: [ -> ]Preferia que o nome do quadro fosse "por trás do Barão" trollface

Ocodelícia

yaoming

Acompanhando, rs.
Cadê a laranjinha?
As entrevistas serão por escrito, tanto pela minha absoluta falta de tempo em gravar e editar e porque assim mais gente se dispõe a ser entrevistada. Até pensei em fazer a entrevista por whatsapp, mas no fim ia dar quase que no mesmo problema e eu ia me enrolar todo com os aúdios picados.

Já tou com pelo menos umas 7 entrevistas já respondidas aqui, amanhã começo a publicar. Uma por semana, pro programa ter um bom andamento.
Muito bem meus amigos, está entrando no ar a 1ª Edição do...

[Imagem: DE-FRENTE.jpg]

O entrevistado que terá a honra de abrir nossa sessão de entrevistas é um dos usuários mais antigos do fórum, veterano do antigo Fórum Silvio Koerich. Um dos primeiros (ou foi o primeiro deles, não lembro) que assumiu o posto de moderador depois que assumi o comando do fórum. Estamos falando dele, o moderador mais esquentado do fórum, Smirtão!

[Imagem: a-vida-de-away-nilzer-9.png]

Nosso amigo Smith nos dá uma entrevista bastante detalhada, onde ele conta boa parte da sua trajetória na Real, sua vida e entre outras coisinhas. Vamos lá!

Barão: Vamos começar pelo começo. Poderia nos contar um pouco sobre como você conheceu a real? Quando foi e como foi? Como foi seu primeiro contato, o impacto que teve em você de cara?

Smith: Eu sempre disse que em toda minha vida eu tive "contato" com o mundo real e como as coisas são de verdade. Desde, inclusive, com a minha primeira namoradinha de pré-adolescência (que hoje já virou mãe solteira com 20 anos, pra variar) eu já havia percebido que as mulheres e relacionamentos não são como os livrinhos de Crepúsculo, novelinhas, filmes e músicas dizem. Com o passar do meu crescimento na adolescência e tudo, eu já havia percebido a verdadeira face dessas coisas, como as mulheres agiam, como os homens agiam, etc. Além disso, eu sempre convivi com alguns amigos cafas e mesmo eu não sendo um, sempre soube do que mulher era capaz de fazer por cafajestes, e sempre soube do quanto elas desprezavam os tais "caras legais".

Porém, mesmo sabendo dessas coisas, eu ainda tinha um defeito: acreditava em exceção. Acreditava em alguma que fosse "diferente das outras". Na verdade, não existem exceções, a natureza da mulher é igual para todas, assim como nós homens possuímos a mesma natureza, a diferença é a forma como cada uma é criada, educada, etc. Não são todas as mulheres que são imprestáveis para relacionamento, (só a esmagadora maioria), mas todas possuem a mesma natureza. Se você for um bobalhão apaixonado, frouxo, nenhuma mulher vai te respeitar, independente da decência delas.

A merda é que a matrix do amor romântico, nos induz à essa frouxidão. Eu não me considero cafajeste, porém já tive algumas namoradas que eu não tinha consideração nenhuma pelas quais, cagava e andava pra elas, dava em cima de outras mulheres, já fiquei com amiga de namorada minha, ela descobriu e mesmo assim me perdoou, porque eu não estava nem aí, etc. Por mais que eu forçasse a barra pra que essas namoradas saíssem fora, elas se apegavam ainda mais em mim, e eu só entendia o porquê disso porque meus amigos cafas me davam essas ideias. Porém, quando eu realmente me apaixonava por alguma namorada, ficante, etc, por mais que eu me "entregasse" no relacionamento, mais desvalorizado eu era.

Aí fui percebendo qual era a da parada. Em meados de 2009, conheci a minha BM ("bruxa madrinha" expressão que utilizamos para indicar qual mulher nos fez chegarmos na Real), pela qual eu me apaixonei rapidamente com o passar dos dias em que convivíamos, porque eu achei que ela era a tal excessão. Não agia como as outras mulheres que eu conhecia, não era baladeira, gostava das mesmas coisas que eu, era virgem, não era rodada (ela era adolescente na época, tinha 14 anos e eu 17) era mais bonita do que as mulheres com as quais eu já havia me relacionado, ou seja, o pacote completo para os caminhos profundos da matrix.

A partir daí eu não conseguia ficar sem ela, não aguentava um minuto sem estar com ela, já estava viciado na garota. Quando não estávamos juntos pessoalmente, ficávamos no antigo MSN conversando por horas, já matei aula pra ficar com ela (na época eu estava no terceiro ano do ensino médio), e ela parecia retribuir à altura, visto que ela também demonstrava algum esforço para estar comigo.

Porém não morávamos na mesma cidade, ela morava a alguns kms da cidade na qual eu morava e eu só podia vê-la de vez em quando, algo como 3 ou 4 vezes por mês.

Fiquei louco e decidi que iria arrumar algum emprego pra juntar dinheiro e me mudar pra cidade dela (quando tomei essa decisão, já havia completado 18 anos e já havia terminado o colégio), porque daí eu poderia trabalhar e estudar em uma cidade mais desenvolvida, ao mesmo tempo em que ficava de vez com a garota (pensava em morar junto com ela depois que ela atingisse a maioridade).

Porém eu era romântico demais, era legalzinho demais, era muito apaixonado e não conseguia perceber o quanto isso era ruim pra mim, pois afinal ela era a exceção.

Nesse meio tempo, antes das coisas terem se caminhado para o fim, eu estava em casa, meus pais haviam viajado e eu estava sem comida e precisava cozinhar algo. Como eu não sabia fazer nada, pesquisei na internet "como cozinhar arroz" e caí no blog do Papo de Homem (na época era um blog), daí depois de um tempo acessando o blog, eu vi num canto da tela que o PdH indicava outros blogs e sites parceiros. Daí eu estava lendo o nome dos blogs, e um deles se chamava "O Perdedor Mais Foda do Mundo", que era o blog do S.K.. Me identifiquei com o título (pois eu também era um perdedor mais foda do mundo) e decidi acessar. Comecei a ler aquele punhado de artigo que o Silvio havia escrito. Comecei a tomar várias porradas pelo que lia, sabia que aqueles artigos faziam algum sentido, porém como eu estava firme na crença da exceção, acreditava que aquilo servia só para "esses homens imbecis aí que se envolvem com qualquer vagabunda" e que não iria acontecer comigo e com minha exceção querida. Porém, uma pulga havia ficado atrás da orelha. Eu sabia que aquilo ali era verdade, mas não queria aceitar.

Deixei o blog do SK de lado (não aguentava mais tomar tanta porrada, hahaha) e segui a vida.

As coisas foram acontecendo até que, em outubro de 2010, finalmente consegui um emprego fuleira em um posto de gasolina. Não iria trabalhar de carteira assinada, iria receber meio salário (que na época era uns 250), mas para mim já era o suficiente para que eu juntasse alguma coisa e pudesse me mudar de cidade para facilitar meu relacionamento com a garotinha lá.

Cheguei em casa, loguei no MSN, e fui todo feliz contar para a garota que eu havia conseguido um emprego e que era "um passo a menos para que pudéssemos morar juntos". Porém eu não vi empolgação nenhuma da parte dela, por causa de algo que aconteceu nos dias anteriores que irei contar agora:

Eu estava conversando com ela alguns dias antes de ter conseguido esse emprego e ela começou a me falar de um cara que ela havia conhecido no caminho para a escola em que ela estudava (nós tínhamos o costume de sempre falarmos sobre tudo que acontecia conosco um pro outro, eu mesmo era um livro totalmente aberto à ela). Ela começou a falar do cara de uma maneira empolgada, que me incomodou na hora e já cortei o assunto. Nos dias que se seguiram, ela não parava mais de falar do cara, que já estava pegando ônibus com ela diariamente. Aquilo me deixou bastante incomodado.

Há alguns dias antes disso, ela já havia esfriado comigo por causa de uma declaração totalmente apaixonada da minha parte que eu tinha feito pra ela, eu tinha falado tudo o que eu pensava e sentia por ela de uma maneira muito exagerada e parece que o romantismo exarcebado da minha parte enojou a mesma. Depois que ela conheceu o tal cara, aí que piorou ainda mais.

Pois bem, os dias desse mês de outubro iam passando, eu ia trabalhando no tal posto de gasolina (detestava o emprego, a única coisa legal é que tinha um grupinho de garotas que moravam perto do posto que ficavam mexendo comigo, e acabei ficando com uma delas, mas contarei direito mais à frente), extremamente apegado à garota, mas já pressentia que o fim estava próximo por causa dos últimos acontecimentos. Daí no final do mês, como eu era amigo dos amigos dela, eu vi uma publicação no orkut de uma amiga dela deduzindo que a mesma iria se encontrar com o tal cara em uma apresentação de música que ele ia fazer lá em algum lugar, algo assim.

Nervoso e desesperado, chamei essa amiga dela no MSN pra saber do que se tratava a tal publicação e daí ela havia me confirmado o que eu já sabia: a minha BM estava gostando do cara e estava a fim dele.

Perdi o rumo da vida na hora, não sentia o chão que pisava, minha garganta secava, meu corpo tremia, tive crises de nervo, desespero, revolta, e todo esse sentimento negativo que eu não desejo nem pro meu pior inimigo. Quando ia pro trabalho, saía na metade do dia, ia embora antes de cumprir o horário pois não tinha mais vontade de fazer nada, não tinha mais cabeça pra trabalhar, pra comer, pra fazer porra nenhuma. Não entendia o porquê das coisas, não queria aceitar, não queria acreditar, estava mais perdido do que virgem em puteiro.

Daí, nesse estado de desespero tentando buscar alguma solução, eu havia me lembrado do blog do SK que tinha lido alguns meses atrás, e me lembrei das porradas que havia tomado e que elas estavam passando a fazer sentido no momento em que eu estava. Desesperado e doido, fui acessar o blog de novo, pra levar mais umas porradas e tentar extravasar um pouco do que eu sentia em um reduto que a verdade fosse dita, como era no blog do SK. Comecei a perceber o quanto o blog tinha caído como uma luva para mim, fiquei doido, comecei a DEVORAR tudo o que lia, aquilo fazia sentido demais, depois de tantas incertezas na vida, finalmente eu estava tendo contato com a Real nua e crua, era como apanhar de cinto da mãe: dói pra caralho, mas é pro seu próprio bem. Daí, por intermédio do blog do Silvio, eu acabei conhecendo o blog e o formspring do Doutrinador, que era mais foda ainda, pois tratava de assuntos realistas, mas de forma mais séria e sóbria do que o SK (as postagens do SK eram mais no caminho da revolta, enquanto as do Doutrina tendiam mais à resolução dos problemas de forma fria). Me identifiquei pra caralho com as ideias do Doutrina, devorava tudo que lia, já estava lendo N.A. nessa época e tomando uma porrada atrás de outra, tava apanhando mais que tamborim no samba, como diz minha sábia mãe. Mas era aquela porrada que fazia bem.

Quando eu ia pro posto de gasolina trabalhar, eu ficava louco para dar o horário de ir embora pra ler o formspring do Doutrina. Estava viciado naquilo. Era a única coisa que me ajudava, depois da merda emocional que eu estava passando e a profunda tristeza na qual eu estava.

Só colocando como adendo, no dia exato que eu conheci a Real, eu resolvi ficar com uma das garotas que ficavam mexendo comigo lá no posto de gasolina, mas peguei a garota mais por revolta, por desaforo mesmo, do que pela vontade de ficar com ela em si. Mas até que foi bom. Depois de tanto sofrimento, eu merecia mesmo ficar com outra mulher. Pode parecer engraçado, mas eu considero o fato de ter ficado com essa garota como uma porta de entrada para o caminho realista e de liberdade que estava por vir e que mudou definitivamente a minha vida. Não tem como não ter sido Deus quem fez eu passar por tudo isso.

Então, no dia 9 de Novembro de 2010, foi a data oficial para minha entrada na Real. Foi o dia em que fiquei com a tal garota e foi o dia exato em que conheci essa coisa maravilhosa chamada de Real.

Quanto à minha BM, eu havia descobrido alguns dias mais tarde que ela estava tristezinha e deprimida porque o tal cara pelo qual ela estava a fim tinha começado a namorar com uma outra guria, e que não iria mais se encontrar com ela porque iria se mudar de bairro. Mesmo que seja algo irrelevante para um realista maduro, na época, aquilo foi uma sensação "boa" para mim de certa forma, depois de tanta coisa ruim, as coisas boas estavam começando a acontecer. Eu me sentia como se quisesse gritar na cara dela "VIU, SUA VADIA? TOMOU NO CU", sentimento de vingança e tals.

Porém, ao mesmo tempo eu me sentia triste pela forma como tudo acabou. Depois que o 'amorzinho' dela foi embora, arrumou namorada, etc, ela ainda tentou 'reatar' comigo, porém, mesmo gostando dela ainda, eu já estava na Real, já sabia como as coisas funcionavam, já tinha descobrido qual era a dela e apenas fui amigável e gentil com ela, como sempre havia sido, mas sem o apelo amoroso de antes. Mesmo que ela "quisesse voltar", eu sabia que não valeria a pena (e eu seria muito imbecil se aceitasse ela "de volta" como as coisas eram antes). Com o passar do tempo, o convívio com ela que era diário passou a ser mensal, apenas uma vez por mês e isso porque ELA vinha conversar comigo. Eu não queria mais contato com ela, não queria mais saber dela. Gostava, estava apegado, mas sabia que tinha que virar Homem e evoluir, sair do estado de verme que eu era. Estava firme na Real, firme nos livros de N.A., arrumei uma namoradinha no início de 2011 pra ajudar ainda mais o processo de esquecimento, comecei a fazer musculação, copiava as respostas do formspring do Doutrinador e colava no meu formspring para que ela lesse (já que ela acessava todas as redes sociais que eu tinha na época) e percebesse que eu já tinha caído na Real, até que ela finalmente se tocou e pulou fora. Na última vez em que nos falamos foi quando ela me mandou um recado de parabéns no dia do meu aniversário de 19 anos (ela estava com 15 pra 16 nessa época), eu apenas respondi agradecendo educadamente e depois disso, graças a Deus, nunca mais nos falamos.

E foi assim a minha entrada na Real e como acabou minha relação com a BM.

Barão: Quem foi sua inspiração logo que chegou à real e por que?

Smith: Sem sombra de dúvidas, o Doutrinador. Agradeço o SK por ter me apresentado à Real indiretamente, mas o Doutrinador foi um verdadeiro pai para mim nos caminhos realistas. Até porque, em 2011, o blog do SK foi encerrado e só me restava o Doutrinador na ativa como referência. Muitas das filosofias e ideias que tenho hoje, são por causa dele. Sou grato demais ào Silvio, mas só Deus sabe o quanto sou grato ao Doutrina. Eu queria ter a oportunidade de cumprimentar, ou pelo menos pagar uma gelada pra esse cara algum dia. Tenho uma gratidão imensurável por ele. 90% do realista que sou hoje é inspirado nele.

Barão: Após ter conhecido a Real, o que você acha que mudou em relação ao seu "eu" anterior? O que melhorou?

Smith: Antes eu era um paspalho que não controlava as emoções diante de uma mulher da qual eu gostasse, tinha ideias românticas, acreditava em exceções, em casamentos plenamente felizes, e merdas desse tipo. Claro que a realidade não se trata apenas de relacionamentos, engloba várias coisas como política, socialidade (não sei se existe esse termo), profissão, pessoalidade, etc. Mas a Real que conheci naquela época foi a ponte para ter aberto os olhos para a realidade das mais variadas áreas da vida e da sociedade. Não sei como estaria hoje se ainda acreditasse nesses mitos. Com certeza já estaria morto, pois teria me suicidado de tanta deilusão ao longo da vida, rs. Hoje estou bem melhor do que eu era na adolescência.

Barão: Aproveitando o gancho da pergunta anterior, gostaria de perguntar algo que pouca gente (ou ninguém) comenta, algo em você piorou depois da Real?

Smith: Sim. Piorei na questão de às vezes polarizar a situação e evitar possíveis relacionamentos saudáveis pelo fato de estar "escaldado" por causa do que vivi. Não é que eu ache que todas são putas e imprestáveis, mas é como um jogo de futebol: depois que você sofre uma lesão, você não entra em dividias de bola com a mesma gana de antes, pois o trauma do machucado fica. É algo que tenho que trabalhar se no futuro eu quiser algum compromisso, namoro, casamento, etc.

Barão: Prosseguindo com o lado ruim da coisa, qual sua maior cagada no pós-real?

Smith: Não tenho certeza, mas acho que engravidei uma garota com quem transei casualmente há alguns anos atrás. Como eu "sumi do mapa" e nunca mais a vi, não sei se deu alguma coisa.

Barão: Para finalizar este arco "revirando o passado": se você pudesse encarar seu "eu" anterior pré real, o que faria?

Smith: Deixaria eu me fuder exatamente como aconteceu. Não adianta a gente querer voltar no tempo e querer "meter a real" em nós mesmos porque, se não, não iríamos amadurecer, evoluir e saber como as coisas realmente são.

Barão: A real bate muito na tecla do desenvolvimento pessoal. Quais são seus planos para o futuro? A Real teve relação com esta perspectiva futura ou já era um caminho que você estava trilhando?

Smith: A verdade é que eu não fazia ideia do que fazer na vida antes da Real. Meu objetivo máximo era conseguir algum emprego qualquer na cidade onde a dita cuja morava pra que eu ficasse com ela "para sempre". Essa era a intenção principal (eu era um imbecil, eu sei). Como eu conheci a Real depois que terminei o ensino médio, na época eu nem sequer sabia qual curso de faculdade queria fazer. Não tinha plano nenhum para além disso. Com o passar do tempo, eu quis focar em desenvolvimento físico, mas daí com as coisas que seguiram eu percebi que era mais correto focar em desenvolvimento financeiro, e que o resto viria naturalmente depois. Até hoje viso o desenvolvimento financeiro, e atualmente é a única meta de vida que tenho. Claro que no futuro tenho planos para outras coisas, mas sem grana não rola. Tenho que aproveitar enquanto ainda sou jovem e tenho tempo para tentar, errar e acertar, até conseguir o que quero.

Barão: Todos sabemos do perigo da "síndrome do cientista louco", mas as vezes vemos alguma chance de dar um toque pra alguém mais próximo. Além do impacto que a real teve na sua vida, você de alguma maneira ajudou pessoas a sua volta através do conhecimento obtido através da real? Se sim, de que forma transmitiu isso? Como se sentiu? Como a pessoa reagiu?

Smith: Tentei ajudar um amigo que era mais imbecil, matrixiano e inocente do que eu era. Mas isso foi no começo, na época em que conheci a verdade das coisas. Porém não foi produtivo, esse amigo meu é paspalho até hoje (até porque conseguiu se casar e talvez ainda veja a mulher como uma coisa divina e perfeita), eu me senti como se estivesse sendo chato, e daí entendi que a Real não é mostrada, ela é buscada. A única experiência que tive acerca desse assunto foi essa. Serviu mais como aprendizado para mim do que para esse meu amigo, que cagou e andou pra tudo que eu disse. Na época eu estava muito empolgado com a Real, e etc, e acho que isso atrapalhou, pois eu falava desse assunto de forma muito entusiasmada, mas como não tinha credibilidade, não adiantou nada.

Barão: Quem não vive numa caverna, sabe muito bem que nosso país passa por um momento de crise, tanto política, econômica e de valores. Você, vendo tudo isso, quais são suas perspectivas perante isto tudo? Faz parte da "Ala Congonhas", que pretende largar tudo e tentar algo fora do país? Ou acredita que o Brasil ainda tem seu espaço para quem quer prosperar?

Smith: Não sou inocente suficiente para achar que as coisas são imutáveis, não são, mas não acho que o Brasil vá se consertar do dia para noite. O problema do nosso país se chama Marxismo Cultural e é isso que precisa acabar, coisa que só acabaria com uma, duas, ou até três gerações de pessoas que não crescessem sob essa influência esquerdista. Nosso país possui um potencial imenso, éramos para ser potências mundiais, batendo de frente com as grandes nações. Porém o que atrapalha é a forma como as coisas são culturalizadas e dirigidas por aqui. Sair do Brasil por causa disso é fazer o jogo da esquerda, porém se é por questões familiares eu apoio a ideia de êxodo do país. Eu gostaria de viver no Brasil por toda a minha vida, mas como pretendo ser pai algum dia, não sei se será seguro e viável criar meus filhos num país que não oferece saúde, educação e segurança de qualidade, ao mesmo tempo em que meus filhos sejam alienados na escola por ideologias esquerdopatas. Quero formá-los cidadãos de bem, honrados e decentes, mas não sei se o futuro do Brasil me garantirá que eu possa fazer isso tudo por aqui.

Barão: Sabemos que este é um tema espinhoso, mas não podemos deixar de perguntar: Pensa em se casar e formar família um dia? Quais os critérios você acha necessário para fazer isto? Seja no campo moral, intelectual, financeiro, da companheira, etc. Caso não queira, quais os motivos te levaram a não seguir este caminho?

Smith: Acabei de dizer na resposta anterior que pretendo sim ter filhos, mas a diferença é que não tenho isso como prioridade ou meta de vida, e sim como uma vontade mesmo. Como eu fui criado em um casamento, por pai e mãe juntos, tudo certinho, seria desonesto da minha parte querer engravidar alguma mulher aí e querer bancar o pai solteiro. Não vejo problemas no casamento, desde que você saiba para o que ele realmente serve: criação de família e não "sessão de sexo todo dia, com muito amor e romantismo da esposa diariamente". Porém, como já disse, não sei se isso realmente irá acontecer comigo. Talvez eu me case, talvez não. De ambas as formas, dá para se ter uma boa vida, você não vai ter somente desgraça ou somente prazer se escolher apenas um dos lados. Uma coisa que aprendi a entender, é que tudo na vida tem seu lado bom e seu lado ruim. O negócio é tentar minimizar o máximo possível o lado ruim de cada caminho que você escolher para a sua vida e aproveitar o máximo os lados bons.

Barão: Caso venha a se casar, quais seus planos para tentar "blindar" sua família desse tanto de influência negativa que temos atualmente?

Respondi isso na penúltima pergunta. Quero criar minha família num país seguro, educado e saudável, com o mínimo possível de influências marxistas. Se vai ser no Brasil eu não sei, tudo depende de como as coisas vão se desenrolar para o futuro.

Barão: Qual é a sua opinião sobre a real hoje em dia? Caso fosse te dado o comando das coisas hoje, o que você mudaria pra ontem?

Smith: O lance com a Real é como nas outras áreas da vida: qualidade sempre será melhor do que quantidade. Na época em que a Real era mais "underground" por assim dizer, víamos que realmente existiam pessoas interessados pela "causa", e realmente comprometidas com aquilo que seguiam. O que percebo hoje em dia é que, com a popularização da Real, os homens estão achando que isso aqui é como um "clubinho social", no qual você participa e fica dando uma de fodão sem ter vivido porra nenhuma na vida.

Não sabem para o que a Real realmente serve, hoje em dia virou "Real modinha", as pessoas seguem mais por modinha do que por terem tido algum tipo de desilusão na vida, algum tipo de sofrimento, etc. Vejo cara chegar aqui e falar que nunca leu N.A., cara que é chifrado pela namorada e não percebe, cara que é feito de trouxa pela esposa e não percebe, cara que nunca ficou, beijou ou comeu ninguém e quer cagar regra, cara que é mais trouxa do que muito matrixiano que tem por aí e acha que é realista, etc.

O defeito da Real foi ter se popularizado demais nos últimos anos, daí sempre acaba atraindo esse tipo de gente, esse monte de cabaços imbecis que acham que manjam de alguma coisa. Um excelente exemplo disso é que depois do Barão Kageyama e do pessoal da minha "geração" não apareceu mais ninguém com notoriedade e liderança para representar a Real depois de 2011. Doutrinador "aposentou" e não apareceu mais ninguém à altura. Se o Barão fechar o Canal do Búfalo e "aposentar" também, aí é que fodeu de vez.

Ficam nessa vacilação aí de "Real de Facebook", "Real do Lawlyet", "Real do Sheridan", "Real do imbecil", etc e ficam querendo transformar a Real no que ela não é nem nunca foi. Daqui a pouco a Real estará tão segregada que vai parecer religião: apesar de ter o mesmo propósito, existem várias "doutrinas" e seguimentos diferentes.

Eu não sou o czar da Real, mas se eu fosse o líder continuaria fazendo o que já faço e sempre fiz: manter o "conservadorismo" do que a Real realmente é, não aceitando esses vacilos de juvenil que acabou de chegar (ou gente de índole duvidosa, como já tivemos em nossos meios) e quer mudar as regras do jogo. Aqui não!

Barão: Só quem é cego para não notar que você curte muito o Away de Petrópolis: seja em seu avatar, seja do jeito que escreve (e até fala!) de uma forma que emula o jeito que ele fala, etc. Nos conte mais sobre isso. Porque gosta tanto do Away?

Smith: A verdade é que eu me identifico com a personalidade dele. Seu perfil na internet está descrito como "um ator que interpreta mendigos, traficantes, jornalistas, empresários, advogados e um cozinheiro que possuem como traço comum uma personalidade explosiva". Em toda a minha vida, eu sempre fui um cara explosivo com as coisas (quem me conhece desde o início do fórum sabe disso, inclusive até a minha BM conhecia esse meu lado) ao mesmo tempo sendo um cara humilde, como o Away é (atuando ou na vida real).

Além disso, eu admiraria que tivéssemos na sociedade um professor que desse esporro em aluno vagabundo da forma que o Professor Gilmar fazia, admiraria que tivesse um empresário que fugisse do padrão "engomadinho", um advogado, um médico, um líder, no geral, que não fosse tão "morno" como a maiora das pessoas são hoje em dia. Aqui nas comunidades da Real mesmo falta um pouco disso. Tem muito cara polido, muito cara morno, todos escrevem da mesma forma fria.

O SK, por exemplo, foi uma das personalidades mais marcantes e das que mais se destacaram justamente porque ele fugia desse padrão sereno, por assim dizer. Era mais "porra louca", mais esquentado, e eu acho que é preciso um pouco dessa antítese em cada setor da vida: tem que ter o cara mais tranquilo mas tem que ter o mais doidão também.

Apesar que eu sou assim por natureza mesmo, e o fato de gostar do Away, do SK, etc é porque temos personalidades parecidas: caras nervosos, quentes, impacientes, brutos e sistemáticos (e às vezes engraçados, porque fazer os outros rirem de vez em quando também é agradável).

Barão: Vamos encerrar aqui a entrevista. Teria algo a dizer pro pessoal do fórum?

Smith: EU VOU DEITAR TODOS VOCÊS NA PORRADA PELA ZERO HORA!!! FIM DE PAPO.

====

E encerramos por aqui a entrevista com nosso querido Smith, espero que curtam e caso queiram perguntar mais coisas para ele, deixem suas perguntas nos comentários que se tivermos um número bom de perguntas, eu abrirei uma "parte 2" com o Smith para ele responder vocês!

Até semana que vem, cambada de cavalos!
Opa, muito boa a entrevista.

Se os próximos mantiverem esse nível, ficará muito bom mesmo este projeto.

Quanto à novas perguntas, acho que já ficou bem completo, por isso vou sugerir apenas uma: Smith, conta ae um "causo" ou uma pérola engraçados que você presenciou aqui na real, rs.

E uma sugestão pra fazer parte das próximas, pois o Smith já respondeu na sua seria: conte-nos como você lidava com as mulheres e com as pessoas em geral no seu passado antes de conhecer a real?
Barão procede. Smith foi o primeiro a assumir o posto de moderador do Forum SK, no momento em que vc foi promovido a Administrador pelo Professor Gilmar. Depois vc colocou o John Romano e o Preud se não me falhe a memoria.
- Gostei da entrevista. Me identifiquei com muitas situações ocorridas.
O preud já era moderador antes de mim.
Páginas: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19