Fórum do Búfalo

Versão Completa: [Reflexão] Quando reagir e quando dar no pé?
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Tópico criado com base na sugestão do confrade @Fusion

Se quiserem, podem pular para o questionamento logo abaixo.

Pra contextualizar rapidamente, estávamos nós no meu tópico sobre organização do pessoal e conhecimentos masculinistas (http://forum.bufalo.info/showthread.php?tid=9789&page=2), quando esse questionou o por que de eu estar usando certos termos, generalizações e para eu ter cuidado na hora de usar essas expressões:

Citar:Hoje parece que só rola uma taxação quase cega e misógina com muita coisa, a começar com posições políticas e de movimentos sociais. [...] Mas sair demonizando ideologias e causando mais conflitos, num país em que tem gente atacando funcionários a mão armada porque recebeu sanduíche com molho, não me parece lá uma escolha muito inteligente.

Um conselho sábio, óbvio, mas já que estamos aqui entre confrades de fórum não me na necessidade de podar minhas palavras, mesmo assim fiz uma série de ressalvas, entre elas:

Citar:Você deve ter notado que muitos dos meus termos eu coloquei entre aspas, né? Meu propósito não é nem nunca foi atacar o seu ninguém. Não tenho problema com nenhuma minoria ou grupo em especial, o cara pode ser o que bem quiser, mas com uma única condição: Não querer me impor suas escolhas pessoais como se fosse verdades que eu tenha que engolir a todo custo.
[...]
Eu simpatizo e entendo muitas lutas dos movimentos sociais, contudo é preciso ter discernimento e senso de proporções. Um choramingo de uma feminazi infelizmente é de várias ordens de magnitude menos relevante do que o problema dos 60 mil homicídios anuais no Brasil, então é preciso ter foco e ainda por cima saber separar choro vitimista de algum problema real.

Daí que vem uma linha de pensamento minha sobre a questão de agir com neutralidade:

Citar:[...] Contudo, infelizmente, de um ex-"em cima do muro", tenho que dizer, até o mais tolerante e neutro, um dia a coisa escala para o nível pessoal e se você permanecer "neutro demais", isso só vai se voltar contra você, pois você será inimigo de todos e não terá o respeito de ninguém, o que é bem pior.

Se voltar pra "neutralidade" é válido pra certos conflitos (eu faço isso o tempo todo), mas isso não é desculpa para fraqueza moral e de caráter, covardia de assumir suas opiniões, irresponsabilidade de se omitir e esperar que as coisas se resolvam sozinhas... Pra isso até existe ditado (atribuído ao Dante Alighieri em "A divina comédia"): “Os lugares mais sombrios do Inferno são reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral.”. Chega um ponto que não dá mais pra enrolar, é preciso você tomar partido pela sua causa e defender o que você acha ser a verdade, persegui-la, sem relativizações.

Que é prontamente observado pelo confrade:

Citar:[...]Notei suas aspas e concordo plenamente contigo quanto a ficar em cima do muro. Uma hora a gente é esmagado, seja interna ou externamente. Certos conflitos a gente pode (ou até deve, às vezes) evitar, pra evitar uma fadiga desnecessária (exemplo: discussões sobre religião em família. Hoje eu caio logo fora. [Imagem: yaoming.png])... discussões sobre certos temas polêmicos em ambiente de trabalho, é outra coisa que tento evitar. Bem, é ter jogo de cintura pra tudo.

Acho que muitas de suas preocupações são legítimas e também compartilho certos receios sobre o tema. O mundo tá se transformando de uma maneira muito rápida e aparentemente louca...

Em outra postagem logo depois eu já tinha falado um pouco sobre os males do politicamente correto podando nosso vocabulário e ideias (http://forum.bufalo.info/showthread.php?...pid=239756).

Daí que meio que fica aquele questionamento no ar:

Até onde devemos lutar para defender as nossas ideias? É melhor viver sempre em pele de cordeiro ou há algum momento que devemos nos impor para que sejamos respeitados?

Ou seja, qual o limite, a linha ou limiar entre ficar quieto, fugir de uma discussão e permanecer e enfrentar para defender nossos ideais?

Ou é melhor apenas sempre escapar dos conflitos para poder escapar ileso?

Há ideias inalienáveis das quais não podemos abrir mão e defender com nossas próprias vidas, se for preciso?

Só lembrando: É um papo meio filosófico, afinal a conduta padrão desejada é apenas que vivamos para o nosso desenvolvimento, não há necessidade de tretar por pouca bosta. Ser valentão é o caminho mais rápido pra se dar mal.



Adendo sobre os comentários do confrade @Fusion. Opcional.

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Obs.: Mais uma vez vos digo, meu objetivo não visa combater o feminazismo ou formar nenhum tipo de militância para tal. Apenas responder em escala pessoal, na medida do possível, sem nos comprometermos.

Aos confrades, força e honra.
Vou deixar o @Gângster responder.
(26-03-2019, 04:19 PM)Spectro Escreveu: [ -> ]Vou deixar o @Gângster responder.

Sinto que a reflexão já fora feita, então vamos esperar que o confrade aí já vem com gosto de gás. Pode trazer sem vaselina.

Lembrando que isso é uma reflexão, vai do que cada um valoriza e considera importante.

Para mim, ser sempre quieto com relação a tudo nunca se pagou.

Por toda a minha infância, adolescência e parte da vida adulta eu sempre fui de abaixar a cabeça, não reagir ou polemizar, ser neutro, não fazer nada inclusive perante e injustiças, e isso me custou um preço muito grande na autoestima, na confiança, pode ter causado dano permanente no meu agir e na imagem que as pessoas tem de mim (o engraçado que até meus pais tem culpa indireta de terem me podado).

Então é uma coisa que luto diariamente pra mudar, pra encontrar minha medida, saber reagir sem me revoltar.

Enfim, desabafo pessoal. Segue o baile.
Pra mim e simples. Se bater MUITA água na minha bunda, eu respondo. Se for só de vez em quando sem nenhuma repercussão na minha vida, eu taco o foda-se
Tentarei, se possível, trazer o máximo de desenvolvimento pessoal para dar uma resposta que expressa a minha opinião:

A discussão só é válida se for para trazer um crescimento pessoal seu ou se você estiver ensinando a vida a uma criança ou se uma pessoa pedir um conselho. Ponto final.

É bíblico a ordem: "seja breve em ouvir e tardio em falar", e concordo, e explico:

1 - Quando você entra, por exemplo, em um grupo de amigos, dificilmente você vai mudar a forma de vida deles, seja política e tal, você infelizmente não vai mudar o Brasil, tampouco a forma de pensar, e o nosso tempo é o bem mais precioso que temos e ele não volta atrás, NÃO VALE A PENA fazer um discurso pra alguém que não quer te ouvir ou que aquilo não vai te gerar um benefício, se o cara gosta do Lula, ou do Bozo, ou do Ciro, ou da Marina, deixa se fuder pra lá, pare com isso de querer ser o doutrinador, pessoas bem sucedidas não desgastam seu tempo com isso SEM QUE gere algo de benefício pra eles: (veja o cara do Mamãe, Falei! Ia encarar a esquerda de cara, gerou um discurso e hoje é deputado estadual com um excelente subsídio e pode se perpetuar por muito tempo, o Arthur é sagaz, esperto!) Agora quantos TROUXAS ficam defendendo Político A e B e só traz ranço pra vida dele a custo de nada? O cara poderia tá comendo uma mulher, estudando uma língua ou algo novo, cuidando do corpo, criando novos laços para contatos com negócio.... mas não.... a sanha do cara, a tara do indivíduo é defender a porra de um político que tá pouco se fudendo pra ele..

2 - Quando você tem que brigar por uma ideologia? Quando isso afetar sua esfera individual! É individualismo + narcisismo mesmo! Exemplo: você estuda e a sua turma, de forma, unilateral, pede pra mudar o horário de uma aula pra um que você já tinha algo marcado, dá pra você? Não! Aí você faz intervenção, caso contrário, no tempo de hoje, a internet tem muita gente pra você bater boca de forma anônima, é o suficiente, na sua esfera individual, um atrito com alguém pode custar caro ou você pode perder uma excelente oportunidade de transa, negócios ou amizade.

Então, pra mim, qual o limite? Se eu percebi que aquilo eu já sei e não vai acrescentar nada, apenas observo, deixo o povo falar, no trabalho, procuro ser sempre um expert no assunto em que trabalho para tentar não depender de ninguém e sempre trabalhando o espírito de liderança (não sendo ouvido pra pinico ou porta de conselho), pois é sendo líder de fato que você consegue posições e influências no seu trabalho.

Já no grupo de amigos, aí vale a máxima: com eles é mais fácil discutir de boas, pronto, deixe pra discutir na internet, com os amigos próximos, de resto, foque no seu desenvolvimento pessoal e esqueça isso de defender o que acredita ou o que acha que é certo: seu destaque vai vir do seu esforço cognitivo, e não de ficar achando que é o novo Maquiavel

Penso assim, e a partir do momento em que parei de querer mostrar minha ideologia, percebi que cresci muito, e adoto isso desde 2015
Apache matou a charada.

Se não vai te trazer nenhum tipo de ganho, pra que desgastar sua imagem e arriscar seu futuro?

Quando o sangue subir (já que ninguém tem sangue de barata), pense sempre nas consequências. Isso vale pra tudo na vida. Quem age sem pensar condena seu destino.
Basicamente estão me dizendo que só vale reagir quando isso lhe daria um ganho pessoal ou evitaria de sofrer algum prejuízo?

É uma resposta bem prática, simples e realista. Na verdade acho que é a conduta padrão de todo mundo aqui, ninguém precisa bancar o bastião da moral e bons costumes que a pessoa não ganha nada com isso.

Mas vamos colocar mais um pouco de pimenta nos olhos. A gente sabe que não há situação preto no branco no mundo real e nem tudo dá pra formular só em equação de perdas e ganhos objetivos calculáveis.

Então como seria no caso de você estar entre a cruz e a espada? Por exemplo, defender sua convicção pode fazer você perder amizade de certas pessoas enquanto não se defender pode causar um dano moral na sua reputação? Ou seja, uma situação da qual não há clara vantagem de um lado ou outro.

Quero, na verdade, extrair a essência do pensamento aqui, o dilema moral no fundo da questão pode ser elaborado da seguinte forma:

Ser fiel a seus valores e defendê-los com a sua vida/reputação na linha, ou ser fiel a sua vida/reputação, deixando seus valores a mercê? (ou relativizá-los, não ter palavra ou fibra moral para sustentá-los e por aí vai, dada a situação)
DE MODO GERAL, vale mais a pena "deixar os seus valores de lado" do que bater o pé e falar que voce esta certo, mas foi exatamente isso que falamos antes
(27-03-2019, 03:37 AM)Wild Escreveu: [ -> ]Mas vamos colocar mais um pouco de pimenta nos olhos. A gente sabe que não há situação preto no branco no mundo real e nem tudo dá pra formular só em equação de perdas e ganhos objetivos calculáveis.

Então como seria no caso de você estar entre a cruz e a espada? Por exemplo, defender sua convicção pode fazer você perder amizade de certas pessoas enquanto não se defender pode causar um dano moral na sua reputação? Ou seja, uma situação da qual não há clara vantagem de um lado ou outro.

Bem, aí só reforço o que falei: não se defender pode causar danos em você, sim, é sua esfera individual, então vale a pena sim se defender

Mas..... 95% dos casos de discussões com pessoas conhecidas não alteram nem danificam a sua moral, geralmente são conversas de: Político, feminazismo, porte de armas, putaria, política, estudos, traição, política, viagens, já falei política?

Seria muito melhor a gente ter um caso concreto pra poder opinar, mas vou dar um exemplo: Uma colega de trabalho fala que você parece gay, pronto. Aí você, todo retardado, vai lá falar que comeria a buceta dela até arder...... Você está batendo boca com uma mulher por causa disso? Pare já! Diga que você é heterossexual e pronto, acabou. Não dê mais papo pra isso, pode deixar caçoar de você, o silêncio, como diria o N.A. corrói a mulher por dentro.

Discussão sobre política? Reforma da previdência? Esquerda e Direita? Tipo o Padilha com suas doenças? Nem começa! Não se discute política fora do ambiente de colegas, nem você precisa falar em quem votou, foda-se tudo isso, é parar de perder tempo com isso, arrume um outro Hobby, melhore seu círculo social, se você tem que PARAR TUDO PRA DEFENDER UMA PORRA DE UMA IDEOLOGIA é porque seu grupo de contatos é um lixo assim como você que está lendo. 

Exemplo prático para se defender: No seu local de trabalho, as mulheres juntaram um complô para que os homens assumissem tal função, em detrimento do seu horário de trabalho, ou na faculdade, mudaram alguma coisa sem te consultar, ou mesmo sua mulher/namorada tomando atitudes que fogem de um padrão básico de conduta (exemplo bem besta: pedir sua opinião para comprar um microshort ou microssaia), você vai e defende o que acredita. Pronto.

Agora, o que percebo é que tem gente que quer defender um modo de viver e forçar as pessoas a mudar, as pessoas só mudam se quiser, ninguém vai estudar ou empreender por conselhos, o mundo precisa de quem não se esforça mesmo para que façam o trabalho braçal e consumam coisas superficiais para que a economia tenha seu ciclo.

Rebato por fim: O homem que está centrado no seu EU, focando em cada dia tentar fazer algo para si mesmo como aumentar a renda, estudar, fazer academia ou corrida, desenvolver-se com leitura e aprendizado, quando pega uma discussão, pula logo fora, mas.... quando pedirem a sua opinião, vão te ouvir em silêncio, pois você é um cara que sabe o que quer e sabe aonde quer chegar, é um norte para muitos
(27-03-2019, 03:37 AM)Wild Escreveu: [ -> ]Quero, na verdade, extrair a essência do pensamento aqui, o dilema moral no fundo da questão pode ser elaborado da seguinte forma:

Ser fiel a seus valores e defendê-los com a sua vida/reputação na linha, ou ser fiel a sua vida/reputação, deixando seus valores a mercê? (ou relativizá-los, não ter palavra ou fibra moral para sustentá-los e por aí vai, dada a situação)

Como destacado várias vezes no tópico pelos colegas, existe o momento certo para tomar partido, para defender algo, que, para mim, devem ser sempre os seus valores. Dentro da questão levantada, inclusive, me parece ainda mais fácil tomar a decisão pois sua vida/reputação é baseada em suas ações que são baseadas em seus valores. 

Defender sua "reputação" ferindo seus valores é o capim comento a vaca.

Gostaria de adicionar um pequeno vídeo à discussão:

(26-03-2019, 04:40 PM)Wild Escreveu: [ -> ]
(26-03-2019, 04:19 PM)Spectro Escreveu: [ -> ]Vou deixar o @Gângster responder.

Sinto que a reflexão já fora feita, então vamos esperar que o confrade aí já vem com gosto de gás. Pode trazer sem vaselina.

Lembrando que isso é uma reflexão, vai do que cada um valoriza e considera importante.

Para mim, ser sempre quieto com relação a tudo nunca se pagou.

Por toda a minha infância, adolescência e parte da vida adulta eu sempre fui de abaixar a cabeça, não reagir ou polemizar, ser neutro, não fazer nada inclusive perante e injustiças, e isso me custou um preço muito grande na autoestima, na confiança, pode ter causado dano permanente no meu agir e na imagem que as pessoas tem de mim (o engraçado que até meus pais tem culpa indireta de terem me podado).

Então é uma coisa que luto diariamente pra mudar, pra encontrar minha medida, saber reagir sem me revoltar.

Enfim, desabafo pessoal. Segue o baile.

Somos dois então @Wild, sobre esse seu desabafo também tenho essa experiência que você relatou ai.
Por um lado é bom mas por outro nem tanto assim.


Isso me lembrou um filme do Jet Li aonde que o pai dele no filme quer resolver as coisas pacificamente.
Mas ele (Jet Li) não quer perder e com isso tenta resolver as coisas por meio da porrada.

(27-03-2019, 10:18 AM)Dark Horse Escreveu: [ -> ]
(27-03-2019, 03:37 AM)Wild Escreveu: [ -> ]Quero, na verdade, extrair a essência do pensamento aqui, o dilema moral no fundo da questão pode ser elaborado da seguinte forma:

Ser fiel a seus valores e defendê-los com a sua vida/reputação na linha, ou ser fiel a sua vida/reputação, deixando seus valores a mercê? (ou relativizá-los, não ter palavra ou fibra moral para sustentá-los e por aí vai, dada a situação)

Como destacado várias vezes no tópico pelos colegas, existe o momento certo para tomar partido, para defender algo, que, para mim, devem ser sempre os seus valores. Dentro da questão levantada, inclusive, me parece ainda mais fácil tomar a decisão pois sua vida/reputação é baseada em suas ações que são baseadas em seus valores. 

Defender sua "reputação" ferindo seus valores é o capim comento a vaca.

Gostaria de adicionar um pequeno vídeo à discussão:


Eu sigo o canal desse video e quase todo dia eu vejo um videos. Para mim um dos melhores canais sobre educação que tem
deveria ter um tópico aqui na real sobre ele, já que o mesmo aborda temas conservadores e de direita que acredito ser a maioria ou 100% dentro da real.
Muito bom mesmo o canal, tanto nos conteúdos conservadores quanto nos conteúdos de desenvolvimento pessoal.
Confrade @Wild, indo direto aos questionamentos levantados no seu tópico, eis minha pequena contribuição:

Até onde devemos lutar para defender as nossas ideias? É melhor viver sempre em pele de cordeiro ou há algum momento que devemos nos impor para que sejamos respeitados? 

Acho sempre ponderável ter jogo de cintura. Isso não necessariamente faz com que fiquemos "em cima do muro". Considerando que somos seres constantemente mutáveis, o viver "sempre" em pele de cordeiro ou de qualquer outro jeito pode ser comprometedor. Relembro que nossa espécie não é destacada pela força, mas pela capacidade de adaptação ao meio em que vive.
Mas sim, acho que devemos nos impor para que sejamos respeitados sempre, desde que, claro, vejamos que o desrespeito para conosco esteja evidenciado. Isso tudo sem esquecer também que manter uma preocupação em respeitar o próximo é igualmente importante.

Ou seja, qual o limite, a linha ou limiar entre ficar quieto, fugir de uma discussão e permanecer e enfrentar para defender nossos ideais?


Talvez o limite seja conhecer os próprios limites, sejam fisiológicos, psicológicos, intelectuais ou ideológicos. Exemplificando cada um desses (mas sem querer limitar):

LIMITES FISIOLÓGICOS
Discussões (principalmente as que ferem nosso ego ou ideais <há diferença entre esses dois?>) tendem sempre a causar efeitos no nosso corpo, como aumento o aumento da pressão sanguínea, por exemplo (pode ser um mecanismo de defesa, como se você estivesse se preparando para um conflito). Sabendo disso, você com histórico de problemas cardíacos ou vasculares, ou que simplesmente sabe que vai ficar com dor de cabeça depois, acha que deve entrar em uma discussão com alguém (ou "alguéns") sobre algo que certamente deixará você agitado? Pode ser perigoso, até.

LIMITES PSICOLÓGICOS
Você consegue debater determinado assunto sem se exaltar ou falar coisas que você não gostaria exatamente que fossem ditas? Acho que @Spectro consegue falar com mais propriedade do que eu, dado que ele é Psiquiatra, mas existe uma espécie de janela durante o período de estresse que não é legal falarmos ou fazermos algo enquanto estamos nela. Agora imagine certas discussões em família ou mesmo no ambiente de trabalho, um lugar que você vai passar o resto da tarde ali, sentado, sem conseguir fugir quando quiser. E mais, será que você não vai ficar maquinando depois sobre o assunto debatido quando a outra pessoa parece nem se importar mais? Vai perder horas de sono? Então, acho que é bom você entender sobre os próprios limites psicológicos para averiguar se vale a pena.

LIMITES INTELECTUAIS
Escolaridade não é sinônimo de sabedoria. Citarei logo um exemplo extremo: um senhor muito pobre, analfabeto, que vive em algum lugar muito remoto de qualquer lugar do mundo, pode ter uma carga de sabedoria sobre a vida muito mais valiosa do que um homem de 35 anos cheio de diplomas e argumentos na ponta da língua. Obviamente não estou inferindo que quem estuda não pode desenvolver sabedoria, nem nada disso... o ponto em questão é: você é capaz de argumentar contra alguém, mesmo sabendo que as ideias daquela pessoa são absurdas ao seu ver? A disparidade de conhecimento é grande? Caso não, talvez seja bom repensar também.

IDEOLÓGICOS
Até onde você realmente acredita no que você acha que acredita? Será que você realmente quer se manter naquela linha de raciocínio e atitude? Qual a relação entre o que está nos seus ideais e no seu peito? Se durante um discurso a outra pessoa conseguir balançar suas crenças, você tem a humildade de admitir que ficou ao menos pensativo? Ou não? Há quem, mesmo na contradição, não dê o braço a torcer (pelo menos não no momento) por questões de orgulho (e envolve a questão do respeito também). Quais os seus limites?

Todavia, toda discussão depende de QUEM está do outro lado para que ela se torne uma discussão saudável. O que é preciso se ter em mente é: o fato de alguém ter a ilusão de ter "vencido" você em algum debate (debate não é jogo), não necessariamente o que esse alguém acredita e/ou fala é o mais correto ou verdadeiro.

EXEMPLOS:
 - Certa vez um terraplanista de Internet (nunca conheci algum pessoalmente, creio) lançou o argumento do helicóptero: que se a Terra girasse, bastava que o helicóptero levantasse voo e ficasse lá aguardando, pra chegar onde queria, já que a Terra se movia sozinha. Tem lógica? Tem... mas não tem sustentação. A lógica deste argumento é construída sobre uma ideia frágil. No entanto, eu não tinha argumentos suficientes de Física e Geografia, que seriam os melhores meios de argumentação. Então procurei um amigo piloto de avião para me explicar um pouco a respeito, para aí sim, eu ter algum argumento mais embasado pra contradizer o que foi falado.

- Eu sou vegetariano, mas não encho o saco de ninguém em relação a comida. Mas alguns parecem que trabalham de fiscais de prato alheio e sempre lançam argumentos como "o homem nasceu pra ser carnívoro, é por isso que temos esses caninos", "precisamos demonstrar nossa dominância na natureza", "isso que tas fazendo é inútil, pois vários animais continuam sendo comidos neste momento", e coisas do tipo. Nesse sentido, sou minoria, e curiosamente as minorias tendem a ser alvos em algum sentido. Faz parte do jogo. Quando vejo que é viável e há uma abertura do outro lado, até argumento. Mas na maioria das vezes, nem ligo mais. Continuo na minha.
Até já ouvi algo sobre as orcas "brincarem" com as focas antes de come-las e que os animais são filhos da puta. Bem, eu não sabia por quê as orcas faziam isso e não pude argumentar nada (entra a questão dos LIMITES INTELECTUAIS). Hoje já sei que elas fazem isso pra matar ou debilitar a refeição antes de pô-la na boca, senão pode ser perigoso, pois focas têm garras e dentes afiados. Viu como o outro lado pode estar errado mesmo tendo lhe "vencido" nos argumentos?

Ou é melhor apenas sempre escapar dos conflitos para poder escapar ileso?
"Sempre" é sempre muito forte. Jogo de cintura e sabedoria pra aprender a viver no seu meio.

Há ideias inalienáveis das quais não podemos abrir mão e defender com nossas próprias vidas, se for preciso? 
Rapaz... este inalienável é com sentido de "sempre"? E em qual contexto? Talvez as mais inalienáveis devam ser as que tangem a integridade e respeito a sua vida e a dos que estão em sua volta (que não necessariamente precisa ser gente do seu sangue). Há quem cresceu e vai morrer defendendo a natureza com fulgor e se morrer por isso, vai morrer com sentimento de missão cumprida. Outros defendem que homossexualismo é coisa de satanás (ou doença) e vai morrer assim, com essas ideias. Há quem tenha uma conceito inalienável de honestidade: do 1 real ao 1 milhão, se não for dinheiro honesto, não pega de jeito nenhum, e vai morrer com esse ideal. Alguns podem ter ideias inalienáveis de que os homens são superiores a mulheres (será que Nietzsche morreu assim?). E por aí vai. Bato muito na mesma tecla: é ponderar e ver os limites do respeito a você e ao próximo.

Bem, a cada dia eu aprendo um pouco mais sobre meus limites. É um caminho lento e por vezes tortuoso, mas espero que dê bons frutos a longo prazo como tem dado a curto e médio.

Só fechando uma ideia geral: certo candidato uma vez falou que "as minorias têm de se curvar as maiorias". Pergunto: será? Isso implicaria em um mundo sem espaço para o novo. Pensemos a respeito (sobre o respeito, inclusive).

Tópico bastante interessante, confrade. Parabéns e obrigado pela consideração de me citar.
(27-03-2019, 03:37 AM)Wild Escreveu: [ -> ]Então como seria no caso de você estar entre a cruz e a espada? Por exemplo, defender sua convicção pode fazer você perder amizade de certas pessoas enquanto não se defender pode causar um dano moral na sua reputação? Ou seja, uma situação da qual não há clara vantagem de um lado ou outro.

Quero, na verdade, extrair a essência do pensamento aqui, o dilema moral no fundo da questão pode ser elaborado da seguinte forma:

Ser fiel a seus valores e defendê-los com a sua vida/reputação na linha, ou ser fiel a sua vida/reputação, deixando seus valores a mercê? (ou relativizá-los, não ter palavra ou fibra moral para sustentá-los e por aí vai, dada a situação)

Concordo com o Apache, mas acrescentando algo e respondendo sua pergunta:

No meu entendimento, "dano moral à reputação" é algo que ocorre muito mais APÓS uma briga do que ao EVITAR uma briga. Pense em quantas brigas sobre política, futebol ou religião melhoraram a sua reputação? Se nenhuma, com certeza pouquíssimas. Isso acontece porque geralmente quem discute já tem uma opinião formada e só quer defendê-la e "ganhar" a discussão, mas isso não melhora sua reputação, muito menos convence a outra pessoa. Exemplos: Tente argumentar que seu time é melhor que o um colega. Tente provar que seu deus é melhor que o deus do seu amigo. Tente convencer um conhecido de esquerda que a direita é melhor. Além de você provavelmente não conseguir, você só terá perdido seu tempo, mesmo que tenha vencido a discussão (ou pelo menos se saído melhor dela, o que para alguns significa ter dado a última palavra).

Veja, como foi dito pelo Apache, nosso tempo deve ser regrado e dosado pois ele é escasso. Discussões são talvez a pior forma de perda de tempo, além óbvio da procrastinação. Como tudo que toma seu tempo em vão deve ser evitado, fuja de discussões sem medo de ser taxado de covarde ou de algo que vá te rebaixar. VOCÊ sabe o motivo de você estar fugindo da discussão, e isso que importa. Você não deixará de ser fiel aos seus valores, muito pelo contrário, você chegará a um estágio de pensamento que poucos conseguem chegar: o de evitar briga simplesmente porque quer e ponto final. Ficar incomodado em tomar essa atitude, só mostra que você ainda quer provar seu ponto aos outros, ou seja, buscar aprovação ou manter seus valores para outros verem, e não para si mesmo. Qual a vantagem disso? Por que você precisa tanto provar algo para os outros? Qual a vantagem (se é que existe) em ganhar uma discussão desse nível? Para nós, homens que desejamos crescer na vida até não podermos mais, não há vantagem em provar nossas ideias para quem não quer/não aceita-as. Foque em si e fuja de problemas.
Opinando de uma forma geral, por quê não existe receita igual, pra tudo, cada caso deve ser enfrentado parte á parte.

Então, seus valores e princípios definem quem és de verdade, em resumo. Não devem ser barganhados, nem relativizados, mas respeitados, e preservados.

No seu caminho para a independência financeira enquanto não infligir seus valores, ganhe dinheiro. Muito dinheiro, se possível.

Com ele, bem usado, vem um bom condicionamento {via academia, esportes, alimentação saudável}, boas posses, compania feminina e enfim, status.

Depois, então...

Mesmo que antes e depois, o conteúdo ''religioso/filosófico/político/ideológico'' defendido seja o mesmo, a mudança de percepção ao redor será impressionante.
Agradecido imensamente pela contribuição dos confrades.

Enquanto eu coloquei aqui um dilema moral fantasioso e possivelmente insolúvel (só na hora dá pra saber o que sairá), ao menos essa discussão serviu para eu pegar a linha geral do pessoal daqui.

É de importância manter seus valores, assim como também é importante manter sua postura. Enquanto poucas pessoas vão ligar pra o que você pensa de verdade, uma vez que você obtém êxitos e conquistas, o respeito a você aumentará em igual proporção ao reconhecimento que você terá.

Ou seja, por pior que isso seja, inevitavelmente a métrica do valor das suas palavras invariavelmente é equacionado com base no seu sucesso pessoal. Por isso mesmo discutir e ter vantagem moral se faz inútil em grande maioria dos casos, se você não tiver meios de demonstrar ganhos com isso. Se impor só é importante se você se valorizar, é uma defesa pessoal, e isso é diferente de tentar forçar suas ideias nos outros procurando aprovação.

Se você procura aprovação em primeiro lugar nem seguro de si está. Já começa errado por aí, se você está certo, apenas está, você sabe que está e não precisa de ninguém pra te confirmar isso. Os outros reconhecerão isso cedo ou tarde, da melhor ou pior maneira, mas isso não é da da sua conta.

É aquela coisa... O caminho do desenvolvimento requer que, no início, você guarde suas opiniões e valores apenas pra você. Num futuro quando você tiver conquistado mais suas palavras vão passara ter algum valor para os outros.  Óbvio que o caminho do desenvolvimento tem que ser integral, fundado em bons valores e este não aceita atalhos.

Quem quiser focar no sentido mais filosófico e menos pragmático da questão, pode ficar ainda a vontade pra discutir, mas acho que já consegui tirar o que eu precisava deste tópico.
(29-04-2019, 10:27 PM)Wild Escreveu: [ -> ]Se impor só é importante se você se valorizar, é uma defesa pessoal, e isso é diferente de tentar forçar suas ideias nos outros procurando aprovação.

Se você procura aprovação em primeiro lugar nem seguro de si está. Já começa errado por aí, se você está certo, apenas está, você sabe que está e não precisa de ninguém pra te confirmar isso. Os outros reconhecerão isso cedo ou tarde, da melhor ou pior maneira, mas isso não é da da sua conta.

De acordo.