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Entrevista com Olavo de Carvalho - Versão de Impressão

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Entrevista com Olavo de Carvalho - Ray Palmer - 08-09-2013

Cruzada anti-idiotas

[...]

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/127934-cruzada-anti-idiotas.shtml

Folha - O título do livro é um tanto provocativo, até mesmo para atrair o leitor. Mas não seria pouco filosófico chamar de "idiota" quem não compartilha certas ideias?

Olavo de Carvalho - Ninguém é ali chamado de idiota por "não compartilhar certas ideias", e sim por pretender julgar o que não conhece, por ignorar informações elementares indispensáveis e obrigatórias na sua própria área de estudo ou de atuação intelectual.

Nesse sentido, creio ter demonstrado meticulosamente, neste e em outros livros, que alguns dos principais líderes intelectuais da esquerda brasileira, assim como uns quantos da direita nascente, são realmente idiotas e fabricantes de idiotas.

O sr. comenta que a normalidade democrática é a concorrência "efetiva, livre, aberta, legal e ordenada" entre direita e esquerda. Mas também que todo esquerdista é "mau, sem exceção". Como é possível equilibrar esses dois aspectos?

Depende do que você chama de esquerda. Há uma esquerda que aceita concorrer democraticamente com a direita, sair do poder quando perde as eleições e continuar disputando cargos normalmente sem quebrar as regras do jogo. O Partido Trabalhista inglês é assim. Nosso antigo PTB era assim. Disputavam o poder, mas sabiam que, sem uma oposição de direita, perderiam sua razão de ser.

Há uma segunda esquerda que deseja suprimir a direita pela matança dos seus representantes reais ou imaginários. Esta governa Cuba, a China, a Coreia do Norte etc., assim como governou a URSS e os países satélites.

Há uma terceira esquerda que, aliada da segunda, diverge dela em estratégia: pretende conquistar primeiro a hegemonia, de modo que, nos termos de Antonio Gramsci, o seu partido se torne "um poder onipresente e invisível, como um mandamento divino ou um imperativo categórico"; e, em seguida, tendo controlado a sociedade por completo, apossar-se do Estado quando já não haja nem mesmo a possibilidade remota de uma oposição de direita. Só aí virá um toque de violência, para dar acabamento à obra-prima.

A existência da primeira esquerda é essencial ao processo democrático. A segunda e a terceira devem ser expulsas da política e dos canais de cultura porque sua essência mesma é a supressão de todas as oposições pela violência ou pela fraude e porque se infiltram na primeira esquerda, corrompendo-a e prostituindo-a.

Ninguém pode apoiar esse tipo de esquerda por "boa intenção". Você já viu algum militante dessa esquerda sonhar em implantar o socialismo e depois ir para casa e viver como um humilde operário do paraíso socialista? Eu nunca vi.

Cada militante se imagina um futuro primeiro-ministro ou chefe da polícia política. Quando matam, é para conquistar o direito de matar mais, de matar legalmente. São porcos selvagens --sem ofensa aos mimosos animais.

O sr. argumenta que o brasileiro é maciçamente conservador, mas desprovido de representação política. Por que não temos políticos e partidos que tomem tal bandeira?

Já está respondido na pergunta anterior. O método da "ocupação de espaços" realizou no Brasil o ideal gramsciano de fazer com que todo mundo nas classes falantes seja de esquerda mesmo sem sabê-lo, de modo que toda ideia que pareça "de direita" já seja vista, instintivamente, sob uma ótica deformante e caluniosa, com chances mínimas ou nulas de argumentar em defesa própria.

Suas próprias perguntas ilustram o sucesso dessa operação no Brasil. Você pode não ser um militante de esquerda, mas raciocina como se fosse, porque na atmosfera mental criada pela hegemonia esquerdista isso é a única maneira "normal" de pensar, às vezes a única maneira conhecida.

Por isso, você, ao formular as perguntas, fala em nome dos meus críticos de esquerda, como se eles, e não o público que gosta do que escrevo, fossem os juízes abalizados aos quais devo satisfações.

Suas ideias podem ser consideradas de direita?

Algumas sim, outras não. Nem tudo no mundo cabe numa dessas categorias. Você não viu a turma da direita enfezada cair de paus e pedras em cima de mim quando afirmei que homossexualismo não é doença nem "antinatural"? É ridículo tomar uma posição ideológica primeiro e depois julgar tudo com base nela por mero automatismo, embora no Brasil de hoje isso seja obrigatório.

Em quais pontos suas ideias podem ser classificadas de direita e em quais não?

Não tenho a menor ideia, nem me interessa. O coeficiente de esquerdismo ou direitismo está antes nos olhos do observador e varia conforme as épocas e os lugares.

Só gente muito estúpida --isto é, a esquerda brasileira praticamente inteira-- imagina que direita e esquerda são categorias metafísicas imutáveis, a chave suprema para a catalogação de todos os pensamentos.

Outros, principalmente na direita, dizem que direita e esquerda não existem mais, o que é também uma bobagem, porque basta uma corrente se autodefinir como "de esquerda" para que todos os que se opõem a ela passem a ser julgados como se fossem a "direita", querendo ou não. A esquerda define-se a si mesma e define seu adversário, por menos que este se encaixe objetivamente na definição.

Nos EUA, alinho-me nitidamente à direita, porque ela existe como agente histórico, é definida e é autoconsciente, mas no Brasil essas coisas são uma confusão dos diabos na qual prefiro não me meter. O sr. Lula não foi, na mesma semana, homenageado no Fórum Econômico de Davos por sua adesão ao capitalismo e no Foro de São Paulo por sua fidelidade ao comunismo?

A última moda na esquerda nacional é cultuar o russo Alexandre Duguin, que é o suprassumo do reacionarismo, enquanto na "direita liberal" muitos adoram abortismo e casamento gay, pontos essenciais da estratégia esquerdista. Prefiro manter distância da direita brasileira, seja isso lá o que for.

No capítulo sobre o golpe de 64, o senhor diz que Castelo Branco foi "um grande presidente", e Médici, "o melhor administrador que já tivemos". Comenta ainda que está na hora de repensar o governo militar. Qual é sua opinião hoje?

No Brasil de hoje não se pode louvar um mérito específico e limitado sem que imediatamente a plateia idiota transforme isso numa adesão completa e incondicional. Neste país, as pessoas, mesmo com algo que chamam de "formação universitária", só sabem louvar ou condenar em bloco, perderam totalmente o senso das comparações, das proporções e das nuances. Isso é efeito de 30 anos de deseducação.

Os méritos dos governos militares no campo econômico, administrativo e das obras públicas são óbvios e, comparativamente, bem superiores a tudo o que veio depois. Ao mesmo tempo, esses governos destruíram a classe política, infantilizaram os eleitores e, por timidez caipira de entrar na guerra ideológica ostensiva, preferiram matar comunistas no porão (embora em doses incomparavelmente menores do que os próprios comunistas matavam em Cuba ou no Camboja) em vez de mover uma campanha de esclarecimento popular sobre os horrores do comunismo. Tudo isso foi uma miséria.

Foi o que eu sempre disse, mas, hoje em dia, se você reconhece uma pontinha de mérito em alguém, já o transformam em devoto partidário dele. Não distinguem nem mesmo entre aplaudir um governo enquanto ele está no poder e tentar avaliá-lo com algum senso de objetividade histórica depois de extinto, mesmo se você, como foi o meu caso, o combateu enquanto durou. O fanatismo idiota tornou-se obrigatório. É disso que o meu livro fala.

O sr. é bastante crítico ao movimento gay. Não acredita que ele foi o responsável por conquistas importantes?

No começo, quando lutava apenas contra a discriminação e a violência anti-homossexual, esse movimento parecia bom e necessário. Mas isso foi só a fachada, a camuflagem do que viria depois: um projeto de dominação total que proíbe críticas e não descansará enquanto não banir a religião da face da Terra ou criar em lugar dela uma pseudorreligião biônica, dócil às suas exigências.

O que o sr. pensa sobre o projeto da cura gay?

Ninguém pede ajuda a um psicólogo para livrar-se de uma conduta indesejada se é capaz de controlá-la pessoalmente ou se não quer abandoná-la de maneira alguma. Quando alguém vai a uma terapia com o propósito de livrar-se do homossexualismo, é porque não o vivencia como uma tendência natural da sua pessoa, e sim como uma compulsão neurótica que o escraviza.

É bem diferente de alguém que é homossexual porque quer, ou de alguém que deixou de ser homossexual porque quis e teve forças para isso. Proibir o tratamento de uma compulsão é torná-la obrigatória, é fazer de um sintoma neurótico um valor protegido pelo Estado. É uma ideia criada por psicopatas e aplaudida por histéricos.

O sr. apoiou a invasão do Iraque em 2003. Nos anos seguintes, vários abusos e atrocidades dos soldados americanos foram divulgados. Acredita que, no saldo geral, a guerra foi positiva?

Não apoiei a invasão do Iraque. De início fui contra. Foi só depois, quando os americanos começaram a exumar os cadáveres das vítimas de Saddam Hussein e viram que eram mais de 300 mil, que comecei a achar que a guerra era moralmente justificável.

Das tais "atrocidades americanas", a maioria é pura invencionice, e as genuínas, inevitáveis em qualquer guerra, nem de longe se comparam ao que Saddam Hussein fez contra o seu próprio povo em tempo de paz.

A guerra, em si, foi positiva do ponto de vista moral, mas a tentativa de forçar o Iraque a adotar uma democracia de tipo ocidental foi ridícula e suicida. A primeira Guerra do Golfo foi bem-sucedida porque se limitou às metas militares, sem sonhos "neocons" de reformar o mundo.

E como o sr. avalia as recentes manifestações em cidades do Brasil?

Tudo começou como uma tentativa de golpe, planejada pelo Foro de São Paulo [coalizão de partidos de esquerda latino-americanos] e pelo governo federal para fazer um "upgrade" no processo revolucionário nacional, passando da fase de "transição" para a da implantação do socialismo "stricto sensu".

Isso incluía, como foi bem provado, o uso de gente treinada em guerrilha urbana para espalhar a violência e o medo e lançar as culpas na "direita". Aconteceu que os planejadores perderam o controle da coisa quando toda uma massa alheia à esquerda saiu às ruas, e eles decidiram voltar atrás e esperar por uma chance melhor. Isso foi tudo. Não há um só líder da esquerda que não saiba que foi exatamente isso.
_____________________________________________________________

Alguém já leu o livro?


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Sedsage - 08-09-2013

A clareza de pensamento dele é impressionante.
Não há nada de esquerda, direita, reacionarismo, proselitismo religioso, entre outros adjetivos que usam para tentar classificá-lo.
Agora, tente explicar isso a alguém que não conheça minimamente a realidade brasileira ou que não tenha lido nada da obra dele ou dos programas.
Reaça, homofóbico, racista, defensor da tortura, capacho de militares serão só alguns dos nomes que você ouvirá.


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Tiago Sorine - 08-09-2013

Olavo de Carvalho Escreveu:Por isso, você, ao formular as perguntas, fala em nome dos meus críticos de esquerda, como se eles, e não o público que gosta do que escrevo, fossem os juízes abalizados aos quais devo satisfações.

Fuckyeah


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - TheShowOFF - 08-09-2013

#OlavãoNoAgoraéTarde


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Bnktop - 08-09-2013

É difícil não concordar com nenhum ponto dele e uma entrevista destas é de se fazer sentir representado por ele. Olavo sabe o que fala porque já vivenciou os 2 lados, tem um senso crítico apurado em experiências e principalmente sabe se comunicar.
-
O ponto mais interessante, na minha opinião, é quando ele classifica o brasileiro como um conservador nato sem representação. Sem sombra de dúvidas, até mesmo os census mostram que os brasileiros tem uma inclinação por estes temas, ditos de conservadores. Em contrapartida não existe um partido no Brasil que se possa chamar de Direita, que esteja em acordo com as agendas da Direita, ou que seja Conservador, o que obriga o brasileiro (O mais esclarecido) a votar no político e não no partido.


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Ray Palmer - 09-09-2013

[Imagem: 1185397_194786517369524_2067426557_n.jpg]

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=194786517369524&set=a.183261838521992.1073741826.183225938525582&type=1&theater

Tinham que fazer merda.


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - barãozin - 09-09-2013

Caralho q carcada q o Olavo deu aí hein?


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Gekko - 09-09-2013

Olavo de Carvalho para presidente!


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - John Romano - 09-09-2013

#OlavãoNoAgoraéTarde [2]

As enrabadas que ele dá nesse entrevistador são violentíssimas! É força bruta e sem cuspe! kkkkkkk


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - WildHorse - 10-09-2013

Se o Olavo for no agora e tarde estarei na primeira fileira.
O Danilo Gentilli usa aquele jeitinho de garoto timido e desingocado, mas
mete umas reais brutas de vez em quando....


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Wild - 11-09-2013

Rapá, adoraria ver o Olavo no programa do Gentilli também, hehehe.

Pois é, crianças, o cara não é qualquer idiota não! É o Olavo mesmo, esse tá longe anos-luz de ser um idiota qualquer, e continua até hoje metendo reais de assustar qualquer um metidinho à politicamente correto.

Pena que há uma barreira que impede muita gente de alcançar suas melhores ideias. As pessoas o entendem muito mal, pelo que pude observar.

Deve ser primeiramente por que ele critica duramente e sem pena muito dos que a sociedade pensamos que faz algum sentido. O cara sai todo ofendidinho e logo começa a ladainha: Depois é fácil acusar ele de qualquer coisa e rebater suas ideias sem entender profundamente o que ele realmente está falando.

Deve ser uma barreira necessária para que não entrem os verdadeiros idiotas. Só quem estudar a história do pensamento do sujeito e seus por quês que pode realmente deixar de ser idiota e passar a compreendê-lo.


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Homem Sem Medo - 11-09-2013

Muito foda!


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Challenger - 04-01-2019






RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Loki - 08-01-2019

Não gosto de muito do que o astrólogo diz e defende, mas nessa entrevista é inegável que saiu-se muito bem.


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Marcílio - 10-01-2019

Uma coisa interessante sobre o Olavo é que nesses últimos anos praticamente todos os alunos dele ascenderam socialmente e intelectualmente. Tanto na política, cinema, literatura, crítica literária, educação, história, estudo de línguas, etc, quem realmente sobre aproveitar os ensinamentos dele, se deu bem.

Inclusive até uma das nossas conhecidas daqui, a professorinha, teve um crescimento substancial durante esses últimos anos.

Pergunta que não quer calar: virar olavete virou um bom negócio?


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - mente - 10-01-2019

(04-01-2019, 12:20 PM)Challenger Escreveu:


Só pra constar, Carlos Nadalim será o secretário de alfabetização do governo federal, gol de placa do Velez Rodrigues.


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Dartagnan - 10-01-2019

Tirando uma besteira ou outra, o Olavo poderia estar muito mais conhecido aqui, pra além do nicho.

Mas a entrevista está perfeita. A melhor que vi dele. Depois comento as partes que achei mais interessantes.


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Spectro - 10-01-2019

Vocês vão pro céu ouvindo esse velho enjoado kkkkkk
Pior aqueles maluco que faz COF e fica se achando a última bolacha do pacote, fomentando o ego através de pseudo conhecimento.
Vão estudar economia que se ganha mais.


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Loki - 11-01-2019

(10-01-2019, 01:54 AM)Marcílio Escreveu: Uma coisa interessante sobre o Olavo é que nesses últimos anos praticamente todos os alunos dele ascenderam socialmente e intelectualmente. Tanto na política, cinema, literatura, crítica literária, educação, história, estudo de línguas, etc, quem realmente sobre aproveitar os ensinamentos dele, se deu bem.

Inclusive até uma das nossas conhecidas daqui, a professorinha, teve um crescimento substancial durante esses últimos anos.

Pergunta que não quer calar: virar olavete virou um bom negócio?

De onde você tirou uma coisa dessas?  Z=

Ser famosinho de internet não paga as contas.

Pra mim, a imensa maioria dos olavetes vive numa matrix, se achando a nata intelectual do BR, mas com suas vidas miseráveis da mesma forma de antes.

Se nem aqui na real, que é IMENSAMENTE SUPERIOR A QUALQUER IDEOLOGIA não temos um índice de sucesso de desenvolvimento pessoal tão grande, imagine naquele meio de cabaços olavetes.  yaoming


RE: Entrevista com Olavo de Carvalho - Smith - 11-01-2019

(11-01-2019, 02:08 AM)Loki Escreveu: Se nem aqui na real, que é IMENSAMENTE SUPERIOR A QUALQUER IDEOLOGIA não temos um índice de sucesso de desenvolvimento pessoal tão grande, imagine naquele meio de cabaços olavetes.  yaoming

PER
FEI
TO
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