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Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Versão de Impressão

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Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Gandalf - 04-11-2013

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Citar:Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes

via Wait But Why, traduzido por Augusto Rey 20 de setembro de 2013

Fonte: http://qga.com.br/comportamento/jovem/2013/09/porque-os-jovens-profissionais-da-geracao-y-estao-infelizes

Esta é a Ana.

[Imagem: Lucy.png]

Ana é parte da Geração Y, a geração de jovens nascidos entre o fim da década de 1970 e a metade da década de 1990. Ela também faz parte da cultura Yuppie, que representa uma grande parte da geração Y.

“Yuppie” é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. – Wikipedia

Eu dou um nome para yuppies da geração Y — costumo chamá-los de “Yuppies Especiais e Protagonistas da Geração Y”, ou “GYPSY” (Gen Y Protagonists & Special Yuppies). Um GYPSY é um tipo especial de yuppie, um tipo que se acha o personagem principal de uma história muito importante.

Então Ana está lá, curtindo sua vida de GYPSY, e ela gosta muito de ser a Ana. Só tem uma pequena coisinha atrapalhando:

Ana está meio infeliz.

Para entender a fundo o porquê de tal infelicidade, antes precisamos definir o que faz uma pessoa feliz, ou infeliz. É uma formula simples:

[Imagem: HR-E.png]

É muito simples — quando a realidade da vida de alguém está melhor do que essa pessoa estava esperando, ela está feliz. Quando a realidade acaba sendo pior do que as expectativas, essa pessoa está infeliz.

Para contextualizar melhor, vamos falar um pouco dos pais da Ana:

[Imagem: Lucys-Parents.png]

Os pais da Ana nasceram na década de 1950 — eles são “Baby Boomers“. Foram criados pelos avós da Ana, nascidos entre 1901 e 1924, e definitivamente não são GYPSYs.

[Imagem: Lucys-Grandparents.png]

Na época dos avós da Ana, eles eram obcecados com estabilidade econômica e criaram os pais dela para construir carreiras seguras e estáveis. Eles queriam que a grama dos pais dela crescesse mais verde e bonita do que eles as deles próprios. Algo assim:

[Imagem: green-grass.png]

Eles foram ensinados que nada podia os impedir de conseguir um gramado verde e exuberante em suas carreiras, mas que eles teriam que dedicar anos de trabalho duro para fazer isso acontecer.

[Imagem: parent-expectation.png]

Depois da fase de hippies insofríveis, os pais da Ana embarcaram em suas carreiras. Então nos anos 1970, 1980 e 1990, o mundo entrou numa era sem precedentes de prosperidade econômica. Os pais da Ana se saíram melhores do que esperavam, isso os deixou satisfeitos e otimistas.

[Imagem: parent-reality2.png]

Tendo uma vida mais suave e positiva do que seus próprios pais, os pais da Ana a criaram com um senso de otimismo e possibilidades infinitas. E eles não estavam sozinhos. Baby Boomers em todo o país e no mundo inteiro ensinaram seus filhos da geração Y que eles poderiam ser o que quisessem ser, induzindo assim a uma identidade de protagonista especial lá em seus sub-conscientes.

Isso deixou os GYPSYs se sentindo tremendamente esperançosos em relação à suas carreiras, ao ponto de aquele gramado verde de estabilidade e prosperidade, tão sonhado por seus pais, não ser mais suficiente. O gramado digno de um GYPSY também devia ter flores.

[Imagem: flowers.png]

Isso nos leva ao primeiro fato sobre GYPSYs:


GYPSYs são ferozmente ambiciosos

[Imagem: President1.png]

O GYPSY precisa de muito mais de sua carreira do que somente um gramado verde de prosperidade e estabilidade. O fato é, só um gramado verde não é lá tão único e extraordinário para um GYPSY. Enquanto seus pais queriam viver o sonho da prosperidade, os GYPSYs agora querem viver seu próprio sonho.

Cal Newport aponta que “seguir seu sonho” é uma frase que só apareceu nos últimos 20 anos, de acordo com o Ngram Viewer, uma ferramenta do Google que mostra quanto uma determinada frase aparece em textos impressos num certo período de tempo. Essa mesma ferramenta mostra que a frase “carreira estável” saiu de moda, e  também que a frase “realização profissional” está muito popular.

[Imagem: a-secure-career.png]

[Imagem: a-fulfilling-career.png]

Para resumir, GYPSYs também querem prosperidade econômica assim como seus pais – eles só querem também se sentir realizados em suas carreiras, uma coisa que seus pais não pensavam muito.

Mas outra coisa está acontecendo. Enquanto os objetivos de carreira da geração Y se tornaram muito mais específicos e ambiciosos, uma segunda ideia foi ensinada à Ana durante toda sua infância:

[Imagem: youre-special.png]

Este é provavelmente uma boa hora para falar do nosso segundo fato sobre os GYPSYs:


GYPSYs vivem uma ilusão

Na cabeça de Ana passa o seguinte pensamento: “mas é claro… todo mundo vai ter uma boa carreira, mas como eu sou prodigiosamente magnífica, de um jeito fora do comum, minha vida profissional vai se destacar na multidão”. Então se uma geração inteira tem como objetivo um gramado verde e com flores, cada indivíduo GYPSY acaba pensando que está predestinado a ter algo ainda melhor:

Um unicórnio reluzente pairando sobre um gramado florido.

[Imagem: unicorn.png]

Mas por que isso é uma ilusão? Por que isso é o que cada GYPSY pensa, o que põe em xeque a definição de especial:

  es-pe-ci-al | adjetivo
   melhor, maior, ou de algum modo
   diferente do que é comum


De acordo com esta definição, a maioria das pessoas não são especiais, ou então “especial” não significaria nada.

Mesmo depois disso, os GYPSYs lendo isto estão pensando, “bom argumento… mas eu realmente sou um desses poucos especiais” – e aí está o problema.

Uma outra ilusão é montada pelos GYPSYs quando eles adentram o mercado de trabalho. Enquanto os pais da Ana acreditavam que muitos anos de trabalho duro eventualmente os renderiam uma grande carreira, Ana acredita que uma grande carreira é um destino óbvio e natural para alguém tão excepcional como ela, e para ela é só questão de tempo e escolher qual caminho seguir. Suas expectativas pré-trabalho são mais ou menos assim:

[Imagem: GYPSY-expectation.png]

Infelizmente, o mundo não é um lugar tão fácil assim, e curiosamente carreiras tendem a ser muito difíceis. Grandes carreiras consomem anos de sangue, suor e lágrimas para se construir – mesmo aquelas sem flores e unicórnios – e mesmo as pessoas mais bem sucedidas raramente vão estar fazendo algo grande e importante nos seus vinte e poucos anos.

Mas os GYPSYs não vão apenas aceitar isso tão facilmente.

Paul Harvey, um professor da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, e expert em GYPSYs, fez uma pesquisa onde conclui que a geração Y tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e “uma visão inflada sobre si mesmo”. Ele diz que “uma grande fonte de frustrações de pessoas com forte senso de grandeza são as expectativas não alcançadas. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço, e talvez não obtenham o nível de respeito e recompensa que estão esperando”.

Para aqueles contratando membros da geração Y, Harvey sugere fazer a seguinte pergunta durante uma entrevista de emprego: “Você geralmente se sente superior aos seus colegas de trabalho/faculdade, e se sim, por quê?”. Ele diz que “se o candidato responde sim para a primeira parte mas se enrola com o porquê, talvez haja um senso inflado de grandeza. Isso é por que a percepção da grandeza é geralmente baseada num senso infundado de superioridade e merecimento. Eles são levados a acreditar, talvez por causa dos constantes e ávidos exercícios de construção de auto-estima durante a infância, que eles são de alguma maneira especiais, mas na maioria das vezes faltam justificativas reais para essa convicção”.

E como o mundo real considera o merecimento um fator importante, depois de alguns anos de formada, Ana se encontra aqui:

[Imagem: looking-up.png]

A extrema ambição de Ana, combinada com a arrogância, fruto da ilusão sobre quem ela realmente é, faz ela ter expectativas extremamente altas, mesmo sobre os primeiros anos após a saída da faculdade. Mas a realidade não condiz com suas expectativas, deixando o resultado da equação “realidade – expectativas = felicidade” no negativo.

E a coisa só piora. Além disso tudo, os GYPSYs tem um outro problema, que se aplica a toda sua geração:


GYPSYs estão sendo atormentados

Obviamente, alguns colegas de classe dos pais da Ana, da época do ensino médio ou da faculdade, acabaram sendo mais bem-sucedidos do que eles. E embora eles tenham ouvido falar algo sobre seus colegas de tempos em tempos, através de esporádicas conversas, na maior parte do tempo eles não sabiam realmente o que estava se passando na carreira das outras pessoas.

A Ana, por outro lado, se vê constantemente atormentada por um fenômeno moderno: Compartilhamento de Fotos no Facebook.

As redes sociais criam um mundo para a Ana onde: A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível à todos, B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e C) as pessoas que expôe mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.

[Imagem: taunted.png]

Então é por isso que Ana está infeliz, ou pelo menos, se sentindo um pouco frustrada e insatisfeita. Na verdade, seu início de carreira provavelmente está indo muito bem, mas mesmo assim, ela se sente desapontada.

Aqui vão meus conselhos para Ana:

1) Continue ferozmente ambiciosa. O mundo atual está borbulhando de oportunidades para pessoas ambiciosas conseguirem sucesso e realização profissional. O caminho específico ainda pode estar incerto, mas ele vai se acertar com o tempo, apenas entre de cabeça em algo que você goste.

2) Pare de pensar que você é especial. O fato é que, neste momento, você não é especial. Você é outro jovem profissional inexperiente que não tem muito para oferecer ainda. Você pode se tornar especial trabalhando duro por bastante tempo.

3) Ignore todas as outras pessoas. Essa impressão de que o gramado do vizinho sempre é mais verde não é de hoje, mas no mundo da auto-afirmação via redes sociais em que vivemos, o gramado do vizinho parece um campo florido maravilhoso. A verdade é que todas as outras pessoas estão igualmente indecisas, duvidando de si mesmas, e frustradas, assim como você, e se você apenas se dedicar às suas coisas, você nunca terá razão pra invejar os outros.

*Postagem original do autor colocada em spoiler.


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - John Romano - 04-11-2013

Engraçado, tinha mostrado esse artigo no original pro Gekko e disse pra ele que queria arranjar tempo pra traduzi-lo.
Ainda bem que alguém já fez esse trabalho árduo!
O artigo é ótimo, recomendo!

Aliás, a seção de comentários do artigo original pegou fogo com quase 2.000 comentários! Só pedrada!


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - SapoCaco - 04-11-2013

Nós da geração Y crescemos com a super valorização da infância, super proteção dos pais, geração que não sabe reagir a nada e sofre "bullyng" ao mesmo tempo que se acha especial e única.


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Gekko - 04-11-2013

(04-11-2013, 09:35 AM)John Romano Escreveu: Engraçado, tinha mostrado esse artigo no original pro Gekko e disse pra ele que queria arranjar tempo pra traduzi-lo.
Ainda bem que alguém já fez esse trabalho árduo!
O artigo é ótimo, recomendo!

Aliás, a seção de comentários do artigo original pegou fogo com quase 2.000 comentários! Só pedrada!



Lembro de quando você me mandou o link através de uma conversa no Facebook. Mesmo com o meu ingrêis pífio deu para entender a idéia central do artigo. Mas traduzido é bem melhor. Preciso criar vergonha na cara e aprimorrar meu ingrêis para um nível aceitável.


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - John Romano - 04-11-2013

(04-11-2013, 10:47 AM)SapoCaco Escreveu: Nós da geração Y crescemos com a super valorização da infância, super proteção dos pais, geração que não sabe reagir a nada e sofre "bullyng" ao mesmo tempo que se acha especial e única.

Então aproveite a oportunidade única que é conhecer a Real e desaprenda a ser um fracote submisso irrealista.
Aqui, todos tiveram problemas na infência/juventude e superamos.
Você tbm consegue!


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - SapoCaco - 04-11-2013

(04-11-2013, 11:15 AM)John Romano Escreveu:
(04-11-2013, 10:47 AM)SapoCaco Escreveu: Nós da geração Y crescemos com a super valorização da infância, super proteção dos pais, geração que não sabe reagir a nada e sofre "bullyng" ao mesmo tempo que se acha especial e única.

Então aproveite a oportunidade única que é conhecer a Real e desaprenda a ser um fracote submisso irrealista.
Aqui, todos tiveram problemas na infência/juventude e superamos.
Você tbm consegue!

Não estou dizendo que eu tenho esses problemas, mas a maioria de nós fomos criados assim, eu sei disso pq uma vez fui fazer entrevista de emprego e a psicóloga disse "voce tem o típico perfil da geração Y", como eu não sabia o que era ela me explicou mais ou menos e mandou eu pesquisar depois.


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Angelo Henrique - 04-11-2013

Esse texto é uma pancada na mente mesmo, sensacional.

É um bom incentivo a diminuir o tempo gasto com facebook e afins.


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Spectro - 04-11-2013

Muito bom mesmo, sempre penso em cancelar esse facelixo, aquilo só me faz perder tempo. Obviamente que pessoas estarão melhor que eu, e outras piores, cada caminho é individual. O importante é sempre seguir em frente sendo ambicioso, sem a ambição estariamos paralizados em nossos quartos.


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Sacerdote John Preston - 04-11-2013

Cronologicamente me enquadro na Geração Y (nasci em 1980), mas moralmente me recuso a ser reconhecido como parte disso. A visão que tenho é de uma piazada leite com pera, que fica botando banca de "melhores que os outros", principalmente "melhores que a geração dos pais e avós". Parte dessa arrogância é calcada no uso da tecnologia e do que ela pode oferecer, isso me lembra uma definição de Geração Y que li em algum lugar: "A Geração Y é formada por aqueles que utilizam o que foi criado/descoberto pela Geração X". Tirem a internet, gadgets, etc., e morrerão à míngua!


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - AKRAME - 04-11-2013

(04-11-2013, 01:01 PM)Sacerdote John Preston Escreveu: Cronologicamente me enquadro na Geração Y (nasci em 1980), mas moralmente me recuso a ser reconhecido como parte disso. A visão que tenho é de uma piazada leite com pera, que fica botando banca de "melhores que os outros", principalmente "melhores que a geração dos pais e avós". Parte dessa arrogância é calcada no uso da tecnologia e do que ela pode oferecer, isso me lembra uma definição de Geração Y que li em algum lugar: "A Geração Y é formada por aqueles que utilizam o que foi criado/descoberto pela Geração X". Tirem a internet, gadgets, etc., e morrerão à míngua!

[Imagem: President1.png]

[Imagem: Lucys-Grandparents.png]

E daqui a algum tempo geração Y,Z ???????????


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Mister.M - 04-11-2013

Sou da geração Y e o texto me caiu como uma luva, infelizmente é a realidade.

Todavia, não sou usuário alienado de redes sociais, portanto o "sucesso" aparente de outras pessoas não é algo que me afeta.

Recentemente sofri algumas pancadas da vida que me fizeram despertar, mas é difícil confrades, 20 anos sendo domesticado para pensar e agir de determinada maneira não são fáceis de mudar.

Geração leite com pera mesmo, não aguentamos porrada, não sabemos fazer porra nenhuma, nos achamos superiores mesmo, e ficamos com raiva quando alguém "inferior" consegue emprego e renda melhor....

A REAL está me ajudando nesse sentido, comecei a encarar alguns desafios que jamais imaginei, a sair da barra da saia da mamãe e lutar para mudar isso....

Força e Honra confrades,


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Tiago - 05-11-2013

Jovens, envelheçam (Nelson Rodrigues)


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Aquiles - 05-11-2013

Belo raciocínio do artigo.

E natural as expectativas evoluírem com o passar dos tempos, mas temos que ver que futuro estaremos plantando para a next generation.

O que não dá pra deixar de lado é sempre se aprimorar e correr em busca dos sonhos.


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Coach Man - 09-06-2014

Excelente texto. A geração Y é uma geração imediatista e acomodada. Estão na zona de conforto porque são mimadas.


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Professor - 09-06-2014

Muito bom artigo! Vou indicar para meus alunos.


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Henry Volk - 22-12-2016

Excelente! up.


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - thothenki - 24-12-2016

Os jovens de hoje querem ter conquistado com 25 ou 30 anos o que seus pais só conquistaram depois de anos de trabalho duro aos 40 ou 50 anos.

Acham que a vida é fácil. Comprar um carro, uma casa e por fim viver só pra curtir.

A realidade é bem mais dura que isso.


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Baralho - 24-12-2016

Texto necessário, muito condizente com a real, e talvez por isso, pouco divulgado.

E depois de dois anos, o link ainda permanece on line.


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - Chris Kyle - 24-12-2016

Muito bom o texto, não tinha lido...E um detalhe é que ele fala da galera que nasceu de 1970 até 1995, ou seja, bem antes do politicamente correto tomar conta das famílias...nem imagino como vai ser a geração posterior a Y (já até chamam de geração nem-nem), pra mim vai ser a geração que a única expectativa na vida, é receber herança dos pais...


RE: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes - PRAGAKHAM - 24-12-2016

A triste geração que virou escrava da própria carreira

POR RUTH MANUS
29/04/2015, 11h11
E a juventude vai escoando entre os dedos.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre.

Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.

Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.

Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.

Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.

Frequentou as melhores escolas.

Entrou nas melhores faculdades.

Passou no processo seletivo dos melhores estágios.

Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.

E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.

Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.

Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.

O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.

O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.

O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.

Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.

Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.

Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.

Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.

Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.

Mas para a vida, costumava ser não:

Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.

Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.

Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.

Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.

Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.

Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.

Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.

Só não tinha controle do próprio tempo.

Só não via que os dias estavam passando.

Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta.

FONTE
http://emais.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/a-triste-geracao-que-virou-escrava-da-propria-carreira-2/