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Poesias Realistas - Versão de Impressão

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Poesias Realistas - Emancipador - 04-06-2015

Nunca li nenhuma poesia na vida, nunca me interessei, nem acho que me interessaria se lesse alguma. Mas comecei há algum tempo a conectar algumas frases e aforismos que venho escrevendo baseado em tudo o que leio e as junto em um contexto que faça sentido.

No fim vira uma poesia, eu acho. Não ligo pra métrica, réplica, tréplica, nem sei o que é. Me interesso pelo sentido analítico da coisa, no significado que terá na minha vida, tanto pessoal quanto espiritual.

Enfim, caso o tópico seja útil ao fórum, vou colocando algumas coisas que venho escrevendo, e caso os confrades tenham algo escrito, fiquem a vontade para postar:

Segue a primeira:

Crepúsculo dos Homens

Não importa o que és, mas o que irá te tornar
Não importa onde estás, mas onde tentará chegar
Nem importa o que tens, mas o que poderá mostrar
Liberta do que te pesas e talvez assim conseguirá

Dos teus feitos mais sublimes
Inúteis, não vão te transformar
Se apoiar no inexplicável
Nada vai se revelar

Das falhas tentativas humanas
Quase ínfimos são os caminhos a trilhar
Mistério obscuro e verdade inalcançável
No fim prevalecerá

Supremacia da razão, busca exata da realidade
Breve sensação de triunfo, perfeita mediocridade
Absurdo sobrenatural diante de tão falha mortalidade
Superar breve existência para conquistar a eternidade


RE: Poesias Realistas - Emancipador - 05-06-2015

Planos Convictos

Nunca imaginei
O quanto ia suar
Para achar a liberdade
Nunca parei de procurar

Hoje, sangrando
Não a encontrei
Não posso desistir
À algum lugar chegarei


RE: Poesias Realistas - Emancipador - 06-06-2015

Desejos Realistas

Uma vida. Mil anseios
Esforços a empreender
Tanta coisa para saber
Nunca parar de sonhar

Ter tudo a conjugar
Transformar o olhar
Encontrar o ser
Nunca esmorecer

Força e honra no viver
Alcançar o transcender
No fim desaparecer
E o Infinito conquistar


RE: Poesias Realistas - Mistério - 06-06-2015

EU SOU UM MISTÉRIO
CHEIO DE PRIVILÉGIO
COM MINHAS PÉROLAS
SÓ AS VELHAS .
ENXUTAS COMO SEMPRE .
LINDAS ETERNAMENTES . trollface yaoming


RE: Poesias Realistas - Emancipador - 06-06-2015

(06-06-2015, 01:01 AM)Mistério Escreveu: EU SOU UM MISTÉRIO
CHEIO DE PRIVILÉGIO
COM MINHAS PÉROLAS
SÓ AS VELHAS .
ENXUTAS COMO SEMPRE .
LINDAS ETERNAMENTES . trollface yaoming

yaomingyaoming


RE: Poesias Realistas - Spectro - 06-06-2015

Estou lançando minha nova série de poemas espectrais.
Altamente viril.


RE: Poesias Realistas - Emancipador - 06-06-2015

(06-06-2015, 02:41 AM)tio spectro Escreveu: Estou lançando minha nova série de poemas espectrais.
Altamente viril.

Pode postar caso queira Tio Spectro, esse tópico não é pra ser 100% sério não. Vou postar umas poesias de putaria qualquer hora. trollface


RE: Poesias Realistas - Spectro - 06-06-2015

Então peço ao raito que não aprove meu tópico que criei vou postar minhas poesias aqui mesmo.


RE: Poesias Realistas - Josey Wales - 06-06-2015

Invictus
(Título Original: "Invictus")
Autor: William E Henley
Tradutor: André C S Masini

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.


RE: Poesias Realistas - Nerd - 06-06-2015

Meu amigo:

Escrevo-te de longe, de muito longe, perdido nos confins deste meu bairro onde só muito fraco chega o rumor da grande cidade. De que hei de falar? Da Vida? Pois seja. A vida é a escola do cinismo. Trazes coração? Esmaga-o ao entrar como uma coisa que nos compromete, que nos avilta. Se acaso és bom tolice não venhas. Aqui para triunfar, é preciso ser mau, muito mau. Sê mau, cínico, hipócrita, e persistente que vencerás. Serás aclamado, respeitado e invejado. Ri do Bem e da Virtude, da Alma e do Sentir.

Ri de tudo, que é preciso que rias. Abafa um protesto com um sorriso, uma agonia com uma gargalhada, um estertor com uma praga.
Sê polido, meu amigo. Encobre a raiva sob o riso, e o riso sob o pesar.
Sê mau, sobretudo. Se a alma compromete estrangula-a, se o riso desmascara sufoca-o, se o choro atraiçoa esfibrina-o às gargalhadas.

Não ames nem creias. Todo o homem que ama é homem perdido, e todo aquele que crê nunca será ninguém. Odeia sempre. Odeia os que sobem e os que pretendem subir, odeia os que subiram e os que um dia subirão. Odeia todos e desconfia. Lembra-te que o Ódio dá mais prazeres que o Amor.

A satisfação de ver agonizar um canalha, quer ele seja um mártir, quer ele seja um ladrão, é maior que a de sentir os braços opulentos de uma mulher que se entrega. É menos um. Sê pois forte como o diamante e como o Ódio.
No Amor gentil comédia sê pródigo, e sobretudo nunca ames uma só mulher. Se és bom serás ridículo, se és mau serás temido. Sê mau sempre. Este farrapo a que se chama Vida foi, é e há de ser sempre assim.

Tudo é egoísmo. Se és bom morrerás como Judas, se és mau meu amigo serás lembrado como Satã.
Vem, mas vem cínico. Triunfarás, terás ouro, amantes, mulheres, o diabo.
Acredita que metade da humanidade nasceu para se rojar pela lama, para que tu, eu, todos os maus, todos os cínicos, a esmagássemos e lhe cingíssemos fraternalmente as carnes com um chicote.

Depois da morte há o Nada. Portanto, meu caro, aqueles que o sabem, o que pensam é em sugar a vida com um furor de agiotas sem entranhas. Isto é como no mar; já Shakespeare dizia que o mugem vive para ser tragado pelo lúcio. Ou serás vencido ou vencedor. Se vencido esperam-te todas as humilhações, desde o desprezo até a compaixão. Se vencedor todos os triunfos, desde o respeito ao Capitólio.

Luta sempre calado, fino, sabido, que se não tens jeito para isto serás um eunuco eterno, castrado para a Vida, para o Amor e para o sonho.
A raiva também tem o seu gozo, o Ódio também tem o seu amor. E o amor do Ódio é maior porque é mais forte.
Não poderás gozar e serás mais desprezado do que uma serapilheira que o uso condenou.

A carne é matéria como a rocha, a rocha é matéria como a flor. Da mulher honesta à prostituta não há diferença, a distância de uma à outra é nula.
Não beijam ambas? Uma por prazer, outra por precisão. Pois, meu caro, eu prefiro a prostituta sempre.

Acredita que todos se vendem, homens e mulheres, palhaços e imperadores, cristos e mendigos: a questão é de preço e o preço sufoca todas as consciências, todas as revoltas. Acredita que falta quem compre toda a gente que se quer vender. A mulher mais honesta capitula, e aquilo a que tu chamas acaso, chamo eu persistência, e a persistência gasta a vida como a água gasta a rocha.


RE: Poesias Realistas - Emancipador - 06-06-2015

(06-06-2015, 11:58 AM)Josey Wales Escreveu: Invictus
(Título Original: "Invictus")
Autor: William E Henley
Tradutor: André C S Masini

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.


Muito bom, não conhecia.


RE: Poesias Realistas - Emancipador - 06-06-2015

Vamo postar também frases, pensamentos, citações etc, assim o tópico fica mais abrangente.


RE: Poesias Realistas - Nerd - 06-06-2015

Lembras-te de quando eu te dizia que a Vida era má, tu responderes que ainda havia o Amor?

Convicto ainda sonhavas a vida grande, auroreal, sadia, junto de uma mulher que fosse o corpo do teu corpo, a alma da tua alma e para quem tu fosses sempre o insaciável dos seus encantos, das suas frases, dos seus beijos.
Ela, a Eleita, te daria então um encanto novo para cada desengano, para cada desânimo te daria coragem na Bíblia nervosa e quente dos seus braços, no anseio louco e perfumado do seu corpo.

Seria a Santa do teu altar, a luz que iluminaria a tua vida inteira.
Tu contar-lhe-ias os teus cansaços e ela te daria o seu colo para descansares. E tu serias bom, altivo e amante. Serias forte para a defender, criança para adorares.
Terias a cada frase dos seus lábios o coração em festa.
Os teus beijos seriam abençoados, e ela, a Santa, seria bendita entre as mulheres.
Quando tu tivesses sede ela te diria abrindo as veias: Bebe . Quando tu tivesses
fome ela uniria à tua a sua boca e te alimentaria com o seu hálito caricioso e quente.

Viveria só para ti sem egoísmos nem vaidades.
E seus filhos seriam belos como mulheres e fortes como Deuses.
Isto é impossível. Onde encontraste tu uma mulher que amasse alguém? Inútil. Procurarias em vão. Uma mulher é um objeto que se usa e se põe de parte ao fim de uma hora, de um dia, de uma semana, de uma quinzena, de um ano quando muito.
A fidelidade aborrece. Mas há acaso alguma mulher fiel?

Em que pensam elas? No interesse. Todas se vendem. Umas compram-se por amor,
como outras se compram por dinheiro. Varia muito o preço por que uma mulher se entrega: uma moeda de prata ou um colar de pérolas, uma nota de banco ou um adereço, uma ceia, um reino, um capricho, um cigarro. Eu já tenho comprado mulheres por um cigarro.
E o que é o amor? Uma triaga deliciosa, não é verdade? A mais podre das ilusões.

A mulher é sempre uma criatura vaidosa e interesseira, balofa e irritante, como os homens são e serão sempre cínicos, canalhas e traidores.
É a maior das egoístas do gênero humano. Seus lábios são uma ânfora maldita que
tem no fundo a mentira. Eles derramam o crime, a covardia, a perfídia.
Seus ventres são sementeiras de dores.
Mas porque gosto eu tanto delas?

Toda a vida me acorrentaram à cadeia de beijos dos seus braços. Assassinaram-me a energia. Tornaram-me à força de desgostos e de irritações, eu que era uma criatura de pequeninas carícias, de mil afetos pequeninos, de pequenas coisas amorosas, embotado e seco como as plantas que morrem à míngua de água. Amei rude e loucamente, com fé, com ardor.
Fui desamado sempre, escarnecido, pisado.

Quando eu amava, rouco de dizer o meu amor, não encontrava um único coração
que se me abrisse. E então, conheci más todas as mulheres.
Mas como hão de elas amar-me se eu lhes não posso dar ouro? Que tenho eu para
lhes dar? O coração? E para que serve o coração? Acaso isso já serviu a alguém?
Não encontrei nunca uma mulher que não roçasse a espinha pela minha bolsa, como
os gatos quando ronronam aos pés do dono.
E todo aquele meu passado amor, toda essa afeição foi como um charuto caro que
alguém esqueceu aceso. Hoje não amo nem creio, como Schopenhauer.

Não é porém despeito tudo isto. Eu continuo a cair nos braços das minhas amantes,
mas julgando-as o pior possível.
Quem ama morre. Chi no stima vien stimato , diz o provérbio italiano. Por isso
despreza os homens como desprezas as mulheres. Ai se acreditas! A mentira no amor é tudo.
Quanta mentira não há num beijo? Quanto veneno? Quanta traição? Um beijo envenena sempre. Alguns há que envenenam a vida inteira.

A mulher leva ao degredo, ao crime, à morte, à desonra.
Há homens que se matam por elas, que se arruinam, que enlouquecem. Dalila atraiçoou Sansão, Margarida perdeu o velho Fausto.
Foi ela que inventou o ciúme para nos roer, os braços para nos prender, o dinheiro
para se vender.
Escuta! Se queres ser amado por tua mulher dá-lhe com um chicote. As mulheres
precisam de ser espancadas para amarem alguém.
Há nisto um fundo de verdade. A pancada é sempre mais sincera do que o beijo.

Mas para que amar? Para que bater? Todo o amor acabará na morte.
O amor é dos romances. Lá é que viveram Romeu e Julieta, o apaixonado Rafael,
Paulo e Virgínia. Trasladar o romance para a vida é uma loucura inconcebível.
Enquanto o pobre D. Quixote quebrava lanças e corria mundo pela sua Dulcinéia,
esta aquecia a cama todas as noites a algum cavaleiro menos andante e mais positivo.

Uma mulher ama por egoísmo, e só gostará de enquanto tu fores para ela o máximo
ponto onde ela pode pousar os olhos.
Se acaso a minha amante, essa criatura que tem para cada minha pancada uma carícia, encontrasse outro que fosse maior do que eu na sua retina psicológica, eu seria preterido sem dó nem piedade.
Todas as mulheres são sensuais e perversas. Toda a mulher se esquece.
Se tu desses a vida por uma mulher ela segredaria às amigas que tu nunca passaste
de um tolo que morreu por ela.

E o teu nome andaria em triunfo nos seus lábios, como o couro cabeludo de um inimigo na mão de um pele vermelha. Dias depois tu serias esquecido e já outros braços teriam imprimido no seu corpo o vergão dos abraços. Quer ela fosse atriz ou freira, ladra ou imperatriz.
Uma mulher é capaz de tudo. Não esqueças nunca. Algumas vezes, o grande manto
do heroísmo não serve senão para esconder uma meia dúzia de amantes.

Assim como na vida não há senão interesses, no amor não há senão desejos.
É o Desejo que irmana a concubina da mulher honesta, o pobre do rico, o bom do
mau. Acaso a alcova de uma honesta não tem visto bastantes prostituições? Há rameiras que são mais sóbrias e mais recatadas ao entregar-se do que a mais honesta das mulheres.

Cada criatura tem latente em si uma Sodoma.
Todos nós somos iguais. Filhos da Luxúria, escravos do Gozo, servos do Interesse.
Iguais no nascimento e iguais na morte.
Um fidalgo nasceu tão desastradamente como um moço de restaurant. Ninguém diferenciará na morte um cardeal do seu fâmulo, um cabeleireiro de um palhaço, uma florista de uma arquiduquesa. Não somos acaso todos irmãos, ó meu irmão canalha?

Da mulher do salão à mulher do esgoto há uma só diferença: a cama. A da primeira
terá uma coroa bordada no travesseiro. A da segunda será a cama de uma hospedaria onde todos passaram, dormiram, que de todos foi usada. A primeira terá meias de Escócia, mitenes de Suède, perfumes de Circássia. A segunda nem às vezes terá meias, terá as mãos calejadas e grosseiras e cheirará a arrotos e suores. O amor da primeira é uma coisa leve como um Watteau, delicado como uma porcelana cara, magnífico como uma renda antiga.

O amor da segunda é uma mancha, brutal como um soco ou um borrão.
Não é verdade que uma rameira se entrega a um ladrão e uma açafata a um príncipe?
Mas há marquesas que prostituem os cocheiros, condessas que levam murros do criado, servilhetas que são as baronesas dos barões.
Pensa bem. Não há crime nenhum que não tenha saído de um ventre de mulher, nem que uma cova não contenha.
Uma mulher? Mas o que é uma mulher? A mulher é o gozo. Tira-lhe a formosura e
o que te fica? Nada.

Mulheres honradas? Nem tua mãe!
Tu sabes quantos adultérios praticou tua mãe para com teu pai! Nenhum. O que
nunca, nunca tu me poderás dizer é quantos ela pensaria em praticar.
Para seres feliz no Amor precisas de ser como na Vida: egoísta, seco e mau. Se não
fores infame serás imbecil. Se fores romântico, sonhador e amoroso, elas inventarão para crucificar a tua paixão mil laços traiçoeiros, mil enganos, mil atrocidades.

Se estimares tua mulher serás atraiçoado por ela, como se estimares tua mãe ela te
difamará. Sê orgulhoso? Uma mulher? Há tantas mulheres por esse mundo! Um amor? Tantos amores virão substituir este.
As mulheres ou se castigam ou se desprezam. E se desprezares a tua amante, ela inventará carícias mil para te apaixonar, te agradar, te satisfazer. A sua boca ardente carregada de beijos como uma árvore carregadinha de flor, tatuará no teu corpo uma legenda extraordinária de dedicações e de carícias. Sê pois canalha com as mulheres, que elas gostam dos infinitamente canalhas.

Eis o dilema: beijava os pés a minha mulher e ela atraiçoava-me, bato-lhe e ela adora-me.
No Amor, como na Vida, de quem é o triunfo? Dos fortes, dos que mentem, dos que
batem, dos que falseiam.
Se queres ser feliz sê, como eu, brutal na posse, canibal na ambição, sem uma aresta de apego a uma alma, pisando sempre, avançando sempre, crânio de sílex na energia, coração de sílex nas dedicações e nas torpezas.

O Amor faz tantos crimes como a guerra. Foi por amor que a minha vizinha fronteira
despedaçou do quarto andar o corpo na calçada. Que este homem se deitou nos rails à passagem do comboio. Que aquela costureira tomou fósforos e está no hospital. Que estoutra
se meteu a freira. Que esta afivelou à rival uma máscara de vitríolo que o tempo não
apagará.

Foi por amor que este homem roubou a casa onde estava empregado e se matou
quando lhe bateu à porta a polícia; que este outro, que tu não conheces, vem ter comigo pedindo-me dinheiro para mandar um ramo à sua atriz, que o despreza, oferecendo-se-me em troca para matar um homem se preciso for; que este mancebo que passava todos os dias a minha rua, pensativo e tristonho, apareceu um belo dia enforcado no seu quarto; que aquele delirou de amor e acabou morto de frio numa rua. Que este homem se arruinou ao jogo para dar à amante; que este matou e foi degredado; que este roubou, entisicou, está na cadeia ou no hospital.
Isto ainda não é tudo.

Há tragédias misteriosas, mortes ignoradas, casos frustes, que, se forem-se desvendar, aterrorizariam um comissário de polícia.
A mulher é o crime. É mentirosa, é cínica. Mente por vaidade, crucifica por prazer.
São os seus encantos, a carne palpitante, os cabelos, os beijos, os gozos que amolecem a energia, a espinha, a cabeça, o orgulho e o dinheiro. É aquela chaga original, a vergonhosa ferida sempre aberta que sangra e que cheira mal...

Há homens orgulhosos que pedem de joelhos perdão às mulheres. Mulheres orgulhosas que sofrem em silêncio as pancadas dos maridos, dos irmãos, dos amantes.
E como o amor tudo transfigura, das rameiras faz santas, dos feios faz belos e arma
em fortes os fracos; livra-te pois do Amor para que não sejas desgraçado.
Lembra-te sempre de que ele é a pior e a mais enganosa das realidades, a mais disfarçada das ciladas.
Ai de ti se nele acreditares! Quem ama morre, quem ama avilta-se tão baixo que a
própria lama tem ainda que descer muito para lá chegar.


RE: Poesias Realistas - Emancipador - 06-06-2015

O Sonho da Razão

O homem dorme. Sonha
Querendo nunca acreditar
Como chegou a esse ponto
Sem ter como retornar

Pelos caminhos que buscou
Nenhum o fez decifrar
O enigma da existência
Nunca desistiu de procurar

O espírito da verdade
Tão difícil encontrar
Resta apenas o desejo
De atingir outro lugar

Angústia. Acorda
Se pergunta o que fez
Descobriu o absoluto?
No fim é simples

Coragem, força e honradez


RE: Poesias Realistas - Emancipador - 06-06-2015

A Morte do Ego

Sou tudo. Nada sou
Nada sei, posso tudo
Pensei, tornei
Enxerguei, desvendei
Transcendi, sumi
Sou nada. Tudo sou...

Inspirado em Nessahan Alita


RE: Poesias Realistas - Tiago Sorine - 06-06-2015

Meu Deus, um tópico de poesias realistas??
[Imagem: 1208.jpg?new=1]


RE: Poesias Realistas - Emancipador - 06-06-2015

yaomingtrollface


RE: Poesias Realistas - Emancipador - 06-06-2015

Modernidade Líquida

O mundo antes grande, ficou muito pequeno
As grandes questões se perderam
Os mistérios se dissolveram
Os gigantes encolheram
Religião, elegante substituta da crença
Arte, decadente e decomposta
Amor, ilusão
Tudo se repete. Nada mais aconteceu
Verdade está morta. Essência arrefeceu
O mundo se tornou absurdo e improvável


RE: Poesias Realistas - Ermac - 06-06-2015

"I Know You", de Henry Rollins .
Tradução e adaptação: Gabriel Ortiz

Eu sei quem é você
Você era muito baixo
Você tinha a pele ruim
Você não podia falar com eles muito bem
Palavras não pareciam funcionar
Elas mentiam quando saíam de sua boca

Você tentou muito compreendê-los
Você queria ser parte do que estava acontecendo
Você os viu se divertindo
E parecia um mistério
quase magia...

Isso te fez pensar que havia algo de errado com você
Você olhava no espelho tentando descobrir
Você pensou que você era feio
E que todo mundo estava olhando para você

Então você aprendeu a ser invisível
A olhar para baixo
A evitar conversas
As horas, dias, fins de semana
Ah, as noites de fins de semana sozinho...
Onde você estava?
No porão ?
No sótão ?
No seu quarto ?
Trabalhando em alguma coisa - apenas para ter algo para fazer.
Só para se ter um lugar para colocar-se
Só para se ter uma maneira de ficar longe deles
A chance de se afastar dos que fizeram você se sentir
tão estranho e pouco à vontade dentro de si mesmo

Alguma vez você foi convidado para uma de suas festas ?
Você sentou-se e perguntou-se se iria ou não ?
Por horas você imaginou os cenários, você até transpirava
Eles iriam rir de você?
Se você soubesse o que fazer
Se você tivesse as ferramentas certas...
Se eles iriam perceber que você veio de um planeta diferente

Você conseguiu ser corajoso em seus pensamentos?
Imaginando ser capaz de ir lá e lidar com eles?
e se divertir ?
Você acha que você poderia ser a alma da festa ?
Que todas essas pessoas iriam falar com você e você
iria descobrir que você estava errado ?
Que você tinha um monte de amigos e que você não era tão
estranho afinal de contas ?

Será que você acabaria indo ?
Será que eles iriam mexer com você ?
Será que eles te deixariam sozinho ?
Você descobriria que você foi convidado , porque eles
queriam ver o quanto você é estranho ?

Sim, eu acho que eu te conheço
Você passou muito tempo cheio de ódio
Um ódio que era puro pôr do sol
Um ódio que podia ser visto a milhas
Um ódio que te mantia acordado durante a noite
Um ódio que encheu todo o seu momento de vigília
Um ódio que você carregou por um longo tempo

Sim, eu acho que te conheço
Você não conseguia descobrir o que eles viram na forma como eles viviam

O lar não estava em casa
Seu quarto era a casa
Um canto era sua casa
O lugar que eles não iam, era sua casa

Eu sei quem você é

Você é sensível e você se esconde, porque você tem medo
de ser pisado outra vez
Parece que quando você mostra uma parte de si mesmo que é um pouco vulnerável alguém se aproveita de você
Um deles pisa em você

Eles confundem bondade com fraqueza
Mas você sabe a diferença
Você tem sentido o peso de suas fraqueza por anos
E força é algo que você sabe um pouco a respeito porque
você tinha que ser forte para se manter vivo

Você se conhece muito bem agora
E você não confia nas pessoas
Você os conhece muito bem

Você tenta encontrar essa pessoa especial
Alguém que você pode estar
Alguém que você pode tocar
Alguém que você pode conversar
Alguém que você não se sente tão estranho em volta
E você descobre que elas realmente não existem
Você se sente mais próximo das pessoas nas telas de cinema
Sim, eu acho que te conheço
Você passa muito tempo sonhando acordado
E as pessoas têm feito comentários a esse respeito
Dizendo que você é auto envolvido, e auto-centrado

Mas eles não sabem, não é?
A respeito das longas noites estando sozinho
Sobre os anos de ser sua própria companhia
Todas as noites que você embrulhou seus braços em torno de si
assim você poderia imaginar alguém te abraçando
As horas de indecisão, auto dúvida
A depressão intensa
O ódio cego
A raiva que o fez cambalear
A devastação da rejeição

Bem, talvez eles saibam
Mas se sabem, com certeza eles fazem um bom trabalho fingindo não ver
Te surpreende como eles podem ser tão suaves
Como eles parecem passar pela vida como se a própria vida
fosse uma dádiva divina
E isso te enfurece, ver você mesmo com a habilidade aparente de encontrar todas as maneiras possíveis para estragar tudo

Para você a vida é uma longa viagem
Terrível e maravilhosa
Os pássaros cantam para você durante a noite
A chuva, o sol, a mudança das estações são verdadeiros amigos
A solidão é um aliado conquistado duramente, fiel e paciente

Sim, eu acho que te conheço

"I Know you" é um poema de Henry Rollins, vocalista da banda 'Black Flag' e bodybuilder.


RE: Poesias Realistas - Ermac - 06-06-2015

"FERRO" por Henry Rollins

Acredito que a definição da definição é reinvenção. Não ser como seus pais. Não ser como seus amigos. Ser você mesmo. Completamente.

Quando eu era jovem, não tinha nenhuma noção de mim mesmo. Tudo o que eu era, era um produto de todo o medo e humilhação que sofri. Medo dos meus pais. A humilhação dos professores me chamando de “lata de lixo” e me dizendo que eu não passaria de um cortador de grama quando crescesse. E o terror total dos meus colegas da escola. Eu era ameaçado e espancado por causa da cor da minha pele e do meu tamanho. Eu era magrelo e desajeitado, e quando me provocavam eu não corria para casa chorando, imaginando o porquê. Eu entendia tudo aquilo muito bem. Eu estava ali para ser hostilizado. Nos esportes eu era motivo de riso. Um nerd. Eu era bom no boxe por causa da raiva que preenchia cada momento da minha vida, que me tornou selvagem e imprevisível. Eu lutava com uma estranha fúria. Os outros garotos achavam que eu era louco.

Eu odiava a mim mesmo, o tempo todo. Tão idiota como isso parece agora, eu queria falar como eles, me vestir como eles, carregar a mim mesmo com a tranqüilidade de saber que eu não iria levar porrada no corredor entre as aulas. Anos se passaram e eu aprendi a guardar isso tudo lá dentro. Eu apenas falava com alguns garotos na minha série. Outros coitados. Alguns deles são hoje as melhores pessoas que já conheci. Bata um papo com um cara que teve sua cabeça enfiada numa privada algumas vezes, trate-o com respeito, e você terá encontrado um amigo leal para sempre. Mas mesmo com amigos, a escola era um saco. Os professores pegavam pesado comigo. Eu também não tinha a menor consideração por eles.

Então veio o Sr. Pepperman, meu orientador. Ele era um gigantesco veterano do Vietnã, e era assustador. Ninguém nunca conversava fora de hora em suas aulas. Uma vez um menino fez isso e o Sr. P. levantou o moleque do chão e pendurou-o na lousa. Sr. P. pôde ver que eu estava fora de forma, e numa sexta-feira em outubro ele me perguntou se eu já havia alguma vez treinado com pesos. Eu respondi que não. Ele me disse que eu iria pegar uma parte da grana que eu tinha guardado e comprar um kit de pesos na Sears. Quando eu saí da sala dele, eu comecei a pensar nas coisas que eu falaria para ele na segunda-feira quando ele perguntasse sobre os pesos, os quais eu não iria comprar. Mesmo assim, me fez sentir especial. Meu pai nunca chegou a se importar desse jeito. No sábado eu comprei os pesos, mas eu mal conseguia levá-los para o carro da minha mãe. Um atendente riu de mim quando eu coloquei os pesos no carrinho.

Chegou a segunda-feira e fui chamado na sala do Sr. Pepper depois da aula. Ele disse que iria me ensinar como treinar. Ele iria me colocar num programa de treinamento e me dar um soco na boca do estômago quando eu estivesse distraído no corredor. Quando eu pudesse agüentar a porrada nós saberíamos que estamos conseguindo alguma coisa. Em nenhum momento eu poderia me olhar no espelho ou contar para os outros o que eu estava fazendo. Na academia ele me mostrou dez exercícios básicos. Eu prestei atenção como nunca havia prestado nas aulas. Eu não queria estragar essa chance. Eu voltei para casa naquela noite e comecei imediatamente.

Semanas se passaram, e de vez em quando Sr. P. me dava uma porrada e me derrubava no corredor, fazendo meus livros voarem. Os outros alunos não sabiam o que pensar. Mais semanas se passaram, e eu estava constantemente adicionando mais pesos na barra. Eu podia sentir a força crescendo dentro do meu corpo. Eu podia sentir.

Pouco antes do recesso de Natal eu estava indo para a aula, e do nada o Sr. Pepperman apareceu e me deu um soco no peito. Eu ri e continuei andando. Ele disse que agora eu poderia me olhar no espelho. Fui para casa e corri para o banheiro e levantei minha camiseta. Eu vi um corpo, não apenas a casca que guardava meu estômago e meu coração. Meu bíceps inchado. Meu peito definido. Me senti forte. Foi a primeira vez que me lembro de ter tido uma noção de mim mesmo. Eu tinha conseguido algo e ninguém nunca poderia tirar isso de mim. Você não poderia dizer porra nenhuma para mim.
Levei anos para apreciar totalmente o valor das lições que eu aprendi com o Ferro. Eu pensava que ele era meu adversário, que eu estava tentando levantar algo que não queria ser levantado. Eu estava errado. Quando o Ferro não quer sair do chão, é a coisa mais gentil que ele pode fazer a você. Se ele voasse até o teto, ele não te ensinaria nada. Esse é o jeito que o Ferro fala com você. Ele diz que o material com o qual você treina a favor, é com o qual você irá se tornar semelhante. E aquele com que você treina contra, sempre estará contra você.

Não foi antes dos meus vinte e poucos anos que eu aprendi que treinando eu tinha me proporcionado uma grande bênção. Eu aprendi que nada de bom é conseguido sem trabalho e uma certa dor. Quando termino uma série que me deixa tremendo, eu sei mais sobre mim mesmo. Quando algo fica ruim, eu sei que não pode ser tão ruim como aquele treino.

Eu costumava lutar contra a dor, mas recentemente isso se tornou claro para mim: a dor não é minha inimiga; é o meu chamado para a grandeza. Mas quando se trata com pesos, é preciso cautela para interpretar a dor corretamente. A maioria das lesões envolvendo o Ferro são causadas pelo ego. Um vez eu passei algumas semanas puxando um peso que o meu corpo não estava pronto e então passei alguns meses não podendo levantar nada mais pesado do que um garfo. Tente levantar algo que você não está preparado e o Ferro irá te ensinar uma pequena lição sobre limite e auto-controle

Eu nunca conheci alguém realmente forte que não tenha auto-respeito. Quando vejo caras treinando por razões cosméticas, eu vejo a vaidade os expondo da pior maneira possível, como personagem de um desenho, cartazes para o desequilíbrio e insegurança. A força se revela através do caráter. É a diferença entre os que desistem, os que só querem um braço forte, e o Sr. Pepperman.

Massa muscular nem sempre é igual à força. Força é bondade e sensibilidade. Força é entender que a sua força é tanto física como emocional. Que ela vem do corpo e da mente. E do coração.

Yukio Mishima disse que ele não poderia admitir a idéia de romance se ele não fosse forte. Romance é uma paixão tão forte e avassaladora, um corpo fraco não poderia manter isso por muito tempo. Eu tenho alguns dos mais românticos pensamentos quando estou com o Ferro. Uma vez eu estava apaixonado por uma mulher. Eu pensava nela ainda mais quando a dor do treino estava percorrendo meu corpo.

Tudo em mim queria aquela mulher. Tanto que o sexo era apenas uma fração do meu desejo total. Era o mais intenso amor que eu já havia sentido, mas ela morava longe e eu não a via muito freqüentemente. Treinar era uma forma saudável de lidar com a solidão. Atualmente, quando treino, eu normalmente escuto músicas românticas.

Eu prefiro treinar sozinho. Isso permite que eu me concentre nas lições que o Ferro tem para mim. Aprender sobre do quê você é feito é sempre um tempo bem gasto, e eu não achei nenhum professor melhor. O Ferro me ensinou a viver. A vida é capaz de conduzir à loucura. Do jeito que as coisas estão hoje, é um milagre que você não esteja louco. As pessoas se tornaram separadas de seus corpos. Elas não mais são inteiras.

Eu vejo as pessoas se moverem de seus escritórios para seus carros e para suas casas suburbanas. Elas se estressam constantemente, perdem o sono, comem mal. E se comportam mal. Seus egos correm soltos; elas se tornam motivadas por aquilo que mais tarde causa a eles um colapso. Eles precisam da Mentalidade do Ferro.

Através dos anos, eu combinei meditação, ação e o Ferro em uma única força. Eu acredito que quando o corpo é forte, a mente tem pensamentos fortes. Tempo gasto longe do Ferro mas minha mente se degenerar. Eu entro em depressão. Meu corpo desliga minha mente.

O Ferro é o melhor antidepressivo que eu já encontrei. Não há jeito melhor de combater a fraqueza do que com a força. Uma vez que a mente e o corpo tenham sido despertados para o seu verdadeiro potencial, é impossível voltar atrás.

O Ferro nunca mente para você. Você pode andar por aí e ouvir todo tipo de conversa, ouvir falarem que você é um deus ou um total bastardo. O Ferro sempre vai dizer a verdade na sua cara. O Ferro é o maior ponto de referência, é o que nos dá a visão do todo. Está sempre lá, como um farol na escuridão. Eu encontrei no Ferro o meu maior amigo. Ele nunca surta comigo, nunca foge. Amigos vem e vão. Mas cem quilos são sempre cem quilos.