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A Busca pela Excelência em todas as áreas da vida
Machado de Assis Offline
Búfalo
**

Respostas: 172
Registrado em: Oct 2015
Resposta: #8
RE: A Busca pela Excelência em todas as áreas da vida
Proposta e reflexão interessantes, confrade.

Minha resposta, baseada unicamente em elucubrações pessoais e na minha própria experiência de vida: não.

Isto, partindo do pressuposto que comumente se assume para lidar com o tema, desenvolvimento pessoal. Porque, a bem da verdade, deveríamos definir e elucidar os sentidos que desejamos destacar nos objetos apresentados. Em outras palavras: o que devemos entender por excelência? Até onde algo deve chegar para ser considerado excelente? Quais são, e como delimitamos as áreas de nossa vida e suas respectivas naturezas? Como podemos saber que abrangemos, de fato, todas elas?

Repito: partindo do pressuposto estabelecido pelo confrade, comum em nossa cultura bufalesca de desenvolvimento pessoal, a partir do qual dividimos nossa “vida” [como se ela fosse algo objetiva e mensurável em sua totalidade] em dois grandes setores: o material e o espiritual lato sensu, do primeiro derivando as subáreas financeira e física/saúde, enquanto da segunda emanam as subáreas emocional/psicológica, social e espiritual stricto sensu [para aqueles que a consideram na equação]. A excelência, tomando-a em sua acepção mais habitual, como o substantivo que designa aquilo que transcendeu os limite do bom ordinário.

Postos os parâmetros, por que não creio ser possível atingir a excelência em todas as áreas de nossa vida?

Eu creio nesta não possibilidade em razão de três variáveis inafastáveis da existência humana:

1. O próprio método pelo qual a Vida se organiza e manifesta. A vida humana caracteriza-se, essencialmente, pelo espírito de sequência que a orienta, em todas as direções e planos. E nada, nada mesmo, foge a este espírito de sequência. A natureza é prodigiosa de exemplos neste sentido. O ser humano, apesar de sua natureza dupla, se inscreve em semelhante diretriz, de modo que seu progresso, inevitavelmente [ressalvados os casos dos pontos fora da curva, que justamente por sua excepcionalidade não entram na conta. Ex: um jovem de 14 anos, ainda no ensino fundamental, estuda sozinho em casa e passa na prova do ITA], obedece ao mesmo espírito de sequência;

2. O fluido vital que nos anima é, necessariamente, limitado. Por mais competência que o ser humano tenha desenvolvimento no sentido de preservar e até potencializar as próprias forças vitais, a natureza determinou, inexoravelmente, a sua finitude, haja vista que cedo ou tarde a morte visita cada criatura. Desse modo, o valor que atribuímos ao tempo está inerentemente ligado ao montante de fluido vital de que dispomos. Quanto mais fluido vital possuímos e conservamos, de mais tempo efetivamente dispomos. E é esta dupla conjugação tempo/energia que constitui o nosso material de vida. Para vivermos, inevitavelmente a empregamos, qualquer que seja a atividade que desenvolvemos, mesmo a inatividade. Logo, vida é igual a usar o nosso celeiro de tempo/energia. Quando nosso armazém se esgota, nós morremos;

3. Para que se atinja um nível de excelência real, fatual, mensurável e efetiva, em qualquer área, subárea, setor, subsetor, posição, descendendo até chegar numa mera qualidade isolada, forçosamente deve-se empregar um volume imenso do combo tempo/energia. Se se afirma o contrário, possivelmente não há a real compreensão do que seja o nível excelência, tampouco do investimento necessário para atingi-lo. Aliás, investimento este que não oferece garantia de sucesso. Partindo do ponto ideal de que um indivíduo investiu tudo o necessário no caminho da busca pela excelência e, no ponto certo, atingiu-a. Isto é raro. Mas o admitamos idealmente. Este indivíduo, possivelmente, gastou “toda uma vida”, como se diz, para atingir um nível de excelência em determinada posição. Mas uma posição é apenas uma das partes, que compõem uma das partes, que compõem uma das áreas, que por sua vez compõem a vida. Um excelente violinista empregou sua vida praticamente toda para tanto. Ele poderá ser um bom, quiçá um ótimo pianista, mas não um excelente pianista, pois que não teria uma vida praticamente toda para realizar trabalho similar ao que lhe granjeou a excelência naquela posição. Ou seja, nem na música em seu todo, que é uma parte da arte, que é parte da cultura, que é parte da espiritualidade humana, que é uma das áreas da vida, o hipotético indivíduo conseguiu a excelência.

Portanto, a resposta está resolução da equação destas três variáveis. O progresso é sequencial e paulatino + a vida é a utilização da conjugação tempo/energia + a excelência em uma parte isolada de uma área demanda níveis imensuráveis de tempo/energia.

Num “bug” da Vida, o que poderia acontecer para que se atinja a excelência em todas as áreas da vida? Ou o progresso deixar de ser gradual e paulatino, podendo ser realizado mediante grandes passos [o mesmo exemplo do moleque de 14 anos que passa na prova do ITA]; ou a excelência ser atingível mediante doses menores de tempo/energia, mesmo sob o imperativo do progresso sequencial e paulatino, por empregar menos tônus vital para fazer o mesmo que alguém, para realizar, emprega enorme quantidade deste tônus, dispõe de mais tempo/energia para “excelentar-se” nas outras posições e áreas da vida [ex: alguém que estuda meia hora por dia, sem dedicar tanta atenção ao estudo, e mesmo assim passa num concurso público difícil, podendo nas outras horas do dia se dedicar à música, à cultura do físico ou à meditação, dentre outras atividades].

Mais uma vez, são os pontos fora da curva que, embora existam, são exceções. E exceções não entram na formulação de uma tese. A regra sim, a determina.
Finalizando, a minha resposta à pergunta central do tópico do confrade só poderia ser não. Para ser sim, teria que tomar uma exceção por regra, mas isso não corresponde à realidade, que tanto defendemos aqui.

Grato pelo ensejo destes pensamentos.

Um abraço fraterno.

"Trata de saborear a vida; e fica sabendo, que a pior filosofia é a do choramingas que se deita à margem do rio para o fim de lastimar o curso incessante das águas. O ofício delas é não parar nunca; acomoda-te com a lei, e trata de aproveitá-la." - Trecho de Memórias Póstumas de Brás Cubas
11-01-2017 12:02 AM
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RE: A Busca pela Excelência em todas as áreas da vida - Machado de Assis - 11-01-2017 12:02 AM

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